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30 junho 2008

Baixo nível


[clique na imagem para ampliar] - via Remisso

No Público, tratam uma sede de concelho do distrito de Braga, por «Cabeceiras de Baixo». Estamos a falar de um jornal de referência nacional, sobre um tema que de novo não tem nada. Será que eles não viram as camionetas com velhinhos que foram a Fátima e passaram por Lisboa para mandarem aquele abraço ao António Costa? Talvez não tenham internet na redacção, ou geograficamente tenham uma ideia de país dividido. Para os da segunda circular, aqui mora a segunda liga.

06 março 2008

O desencantamento em betão (II)

Há pouco tempo escrevi aqui no Mesa da Ciência uma opinião sobre a Urbanização do Mosteiro, em Cabeceiras de Basto.

"Da primeira vez que cheguei à Vila de Cabeceiras de Basto, há mais ou menos 7 anos, lembro-me bem de ter ficado pasmado com a imponência do Mosteiro de São Miguel de Refojos. É um monumento de dimensões consideráveis, enquadrado numa praça ampla, em que os prédios circundantes eram todos muito menos volumosos. Ao mesmo tempo, o traço barroco deu-me uma noção de proximidade com a minha cidade, Braga, rica nesta arquitectura. Os anos foram passando e já perdi a conta das vezes que voltei àquela vila, que como qualquer local, tem a dinâmica própria de crescimento. O terreno ao lado do mosteiro foi completamente reabilitado, e bem, as estradas mudaram, a rotunda Europa nasceu e apareceram os primeiros semáforos. Nasceu também o novo centro de saúde que imediatamente foi sufocado com prédios.... Mas o pior ainda estava para vir: a urbanização que a foto ilustra. Construir mesmo junto ao mosteiro, numa rua (ou avenida) mais elevada, fez com que a imponência da desproporção daquele monumento morresse. Os interesses imobiliários sobrepuseram-se aos séculos de uma harmonia perfeita da paisagem urbana com a Natureza."


A reacção:

"Perguntem a alguns “blooguistas”, retratistas e repórteres cá do burgo qual a intenção ou os motivos subjacentes à foto difusamente divulgada, tirada por detrás das vigas de um prédio em construção na Av. Sá Carneiro, a mais de 100 metros de distância, para obter a imagem mais desfocada, mais desfigurada, do que é para nós a maior jóia cá da terra, o Mosteiro e as suas torres. Seria bem mais fácil e útil, conhecê-las por dentro, subir pelas escadas até ao zimbório e contemplar o encanto da paisagem e a beleza e a grandeza desta terra em franco desenvolvimento.
Há uma fábula bem conhecida “o menino velho e o burro”, que nos deixa um ensinamento que deveríamos assimilar desde crianças, não deveremos ver as coisas apenas pelo lado mais simples ou conveniente. Quantas vezes bastaria dar um passo ao lado (à direita ou à esquerda, não importa), para ter outra visão da realidade e alcançar horizontes que a “objectiva” só por si, não capta, caso “o fotógrafo” assim não o queira.
A estes, e aos seus mais apaniguados seguidores, deixo uma sugestão, para um exercício muito simples: Coloquem-se, agachados, por trás das costas de um “Judas” qualquer, e vejam se lhe conseguem ver a cara…" Assinado como P.L. no jornal Ecos de Basto


Saiba o P.L. que habituado a atentados ao património já eu estou há largos anos. E de resto, sobre a sugestão de visitar o interior do mosteiro, agradeço-a, mas vem demasiado tarde. Aliás, se a vila de Cabeceiras não fosse tão bela e enquadrada num privilegiado cenário natural, eu nem me preocuparia. O Minho é pródigo em caos urbanístico, já Miguel Torga comungava da mesma opinião e sublinhava que Trás-os-Montes ainda não padecia desta "modernidade" a martelo. Mas do alto da Senhora da Orada, ou do parque eólico de Fafe, sente-se o pulsar cabeceirense desenhado a tijolo-burro. E para os que não conseguíram ver o Mosteiro de São de Miguel de Refojos por a dita imagem estar desfocada, deixo o meu contributo publicado na Wikipédia a 26/12/2005. É de domínio público, podem vê-la e usá-la livremente. Mas muitas outras venho publicando ao longo dos anos.

Busteliberne
Moinhos de Rei e Praça da República
Moscoso
Magusteiro
São algumas sugestões de um bracarense, captadas in loco.

16 setembro 2007

Depois da Dinamarca, a Suécia

Os cartoonistas nórdicos gostam de fornecer o combustível para a exaltação do fanatismo. É certo que a liberdade de imprensa tem que ser respeitada, mas há ideias que devem ter o mínimo de bom senso. Não vejo grande interesse, nem tão pouco criação artística, num cartoon com Maomé num corpo de cão. Se o criador do desenho tem responsabilidades, o editor do jornal não tem menos. Ambos já têm a cabeça a prémio e as empresas suecas instaladas em territórios muçulmanos sofrem ameaças de ataques. Não devemos cultivar o medo, mas tem que haver equilíbrios.

03 setembro 2007

Contradições

Vou-me tentar abster de julgar quem deixou uma filha a dormir enquanto que ia comer ao restaurante mas os pais de Maddie queixam-se que estão fartos das especulações da imprensa. Mas não foram eles que fizeram tudo por tudo para alimentar esta imprensa?