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11 fevereiro 2007

Triste e revoltado

Abstenção ~ 60%

É incrível como um país que se quer um país de primeira linha se está tanto nas tintas para eleições.
Talvez o problema não esteja ns governos, talvez esteja nas pessoas!

25 janeiro 2007

A opinião inesperada

Cientista de proa na procriação medicamente assistida, Mário de Sousa é "pai" de centenas de filhos de casais inférteis. Mas vai votar Sim no referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Porque a vida da mulher é um todo, com corpo e alma, que tem primazia sobre o feto. Este, diz, é "um anexo sem autonomia" até aos cinco meses, altura em que o cérebro começa a funcionar.
(...)
Falou na protecção do embrião, mas alinha num movimento pelo Sim.
Claro. Devemos tentar arranjar todos os artifícios necessários para que qualquer rapariga que engravida leve a gravidez a termo. É nossa obrigação enquanto médicos saber por que não o podem fazer. Se o problema é a família ou o parceiro, devemos oferecer-nos como mediadores. Se invocarem razões económicas, devemos chamar uma assistente social afectiva e compreensiva que as acompanhe e lhes indique meios de subsistência.

Está a dar razão ao Não...
Não. Porque a grande fatia, como revelou um estudo da Associação para o Planeamento da Família, é de raparigas muito jovens que dizem que não estão preparadas naquele momento da vida para ter um filho. Porque são pequenas, estudam, não sabem quem é o pai... Aí temos duas opções ou um sistema ditatorial que obriga a mulher a levar adiante a gravidez e a persegue se ela não levar, ou protegê-la e permitir que aborte de maneira higiénica, rodeando-a de uma série de medidas para que tal não volte a acontecer. E, felizmente, sendo muito rigoroso em termos de fisiologia fetal, o feto não é capaz de sobreviver fora do útero. Idealmente, se pudéssemos tirá-lo logo e dá-lo para adopção, seria a solução. Mas como não tem viabilidade, a primazia é da mãe. Para nós o mais importante é o respeito pela vida que está à nossa frente: a da mulher.

E o argumento de que isso vai banalizar a IVG?
Segundo o estudo da APF, a maior parte das mulheres que abortaram usava métodos contraceptivos, abortou até às dez semanas e tinha formação secundária ou superior. A gravidez é um acidente de contracepção e 90% não repete a experiência. E depois, obviamente, as pessoas têm que ser responsabilizadas. Se eu fosse ministro, as pessoas pagariam a IVG, a não ser que não tivessem capacidade económica. Lembro-me que em França, em 1993, uma rapariga pagava 30 contos para uma IVG num hospital público. Até por uma questão de sacrifício. Não acredito num aumento. Ninguém faz isso de ânimo leve.

O Não busca noutros países justificação da tese do aumento.
É diferente. Se Portugal tivesse despenalizado o aborto no 25 de Abril, a população era então mais pobre, menos culta, haveria um aumento, porque as mulheres já não iam ter medo de pedir ajuda. Teria havido, como noutros países, uma ascensão inicial e depois uma descida até à estabilização. Hoje, há formação.

Fabrica vida e dá a cara pela despenalização do aborto. Contra-senso?
Não! Pelo contrário! Ajudo os casais a ter bebés e continuo a dizer que são o grande milagre da vida! Mas o que lhes digo é que a coisa mais importante da vida deles não é o bebé. Com os que fazem dele o mais importante, geralmente corre mal. O grande motivo deles é o amor que os une. E o bebé é uma dádiva extra, que não pode substituir esse amor. Se me perguntar se numa situação dramática escolho a minha mulher ou a minha filha, a minha mulher tem prioridade. O bebé é uma dádiva, mas não pode ser à toa! Numa fase em que não está preparada, mais vale não destruir a vida da mulher!

Concordo com o Prof Mário quando diz que o aborto deve ser pago. Pelo menos por quem puder pagar. Isso, creio, é impreterível!

06 janeiro 2007

Aborto, os falsos argumentos

Olá a todos!
Antes de emigrar mais uma vez, numa viagem que parece não ser a última, queria só deixar algumas considerações sobre o referendo que se avizinha e para o qual, infelizmente, não vou poder contribuir com o meu voto, devido a essa mesma ausência motivada pela minha saída do país. Poderia escrever um livro sobre isto mas vou tentar condensar numa página.
1 - Quem quer fazer uma interrupção voluntária da gravidez (IVG, vulgo aborto) FAZ! É uma decisão que, quer se queira ou não, passa por cima da lei! Há duas opções para a mulher: ou tem dinheiro e vai a Espanha a uma clínica privada pagando, consequentemente, um balúrdio, e deixando o capital português em Espanha, ou então sujeita-se ao que vulgarmente se chama de aborto de garagem, este último com condições de higiene e segurança absolutamente deploráveis. Quanto à última forma nem sequer me vou alongar quanto à categoria que os "médicos" que o performam têm, porque na maioria dos casos nunca puseram um pé num hospital.
1a - Por estas razões, o não ao aborto é uma posição hipócrita. É legislar contra, cientes de que os abortos não irão ser feitos. Um bocado como a posição que os países islâmicos têm acerca dos homossexuais. A recordar, estes países recusaram-se a assinar o protocolo mundial da conferência contra a VIH/SIDA na África do Sul por alegarem que a homossexualidade não existe em países árabes, o maravilhoso exemplo de que a lei não é sinónimo de verdade.
2 - Há já quase dois anos estava eu a fazer colecção de tecidos adiposos, no seguimento da investigação de doutoramento que fazia, quando passei, juntamente com a enfermeira que me ajudava, pela ala das interrupções de gravidez assisitidas. Disse-me a enfermeira que se faziam 30 (!!) por dia. Acabamos a discutir sobre o número destas operações, já que me pareceu alto e a isso ela perguntou-me, "e quantos abortos são feitos em Portugal? Pois, não sabes, exactamente porque eles são clandestinos."
2a - Se o número de abortos é clandestino como poderemos saber quantos são feitos? Estimativas valem o que valem. Mais a mais, fala-se muito na redução preocupante da taxa de sucesso da reprodução dita natural e no consequente aumento de reprodução médica assistida (RMA) em Portugal. Aqui, temos dois pontos a explorar.
2b - O aborto clandestino, ao ser feito por talhantes (sem ofensa para a profissão) contribui para que recorramos cada vez mais às RMA, que são comparticipadas pelo estado.
2c - Consequentemente, as RMA levam à superovulação e fecundação de vários embriões que, se a taxa de sucesso da RMA for alta (o que todos cremos) leva à incineração dos restantes embriões, criando aqui uma pescadinha de rabo na boca originada pelo não.
2d - Também queria deixar um ponto sobre a confusão que alguns políticos, especialmente os de extrema direita (que se dizem de centro direita), fazem quanto à questão da liberalização da IVG. misturando-a com o fecho das maternidades. Sem ir para os caminhos das maternidades só quero deixar bem clara uma coisa, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Os argumentos do governo na questão das maternidades (dos quais eu tenho dúvidas quanto aos benefícios) são o de re-distribuição de recursos, não o de cessação de nascimentos. Dizer que poupar dinheiro nas maternidades para o gastar no aborto é tão lícito como dizer que a subida de impostos no tabaco vai orginar receitas para a subida dos ordenados da função pública.
3 - Estou de acordo que a culpa não deve morrer solteira.
3a - Não só as mulheres, mas também os homens, devem ser julgados. As suas caras devem ser mostradas na praça pública (como são as das mulheres julgadas).
3b - Se o não vencer e se ainda nos convencermos que estamos num mundo onde por não ser legislado os abortos não são feitos (o pai natal existe!) os homens devem ser obrigados a arcar com as devidas consequências, sociais e económicas.

Mais do que ir votar no sim ou não ao aborto, votem no sim ou não à liberalização do aborto. São coisas diferentes!