Mostrar mensagens com a etiqueta sebastião alba. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sebastião alba. Mostrar todas as mensagens

11 março 2010

ALBA só


O Bar-Café-Galeria de Arte Labiribtho, no Porto, promove uma série de iniciativas sobre o poeta bracarense Sebastião Alba, desaparecido há 10 anos. Gostaria muito de ver algo assim na cidade de Braga.....

11 março 2009

Sebastião Alba



Este filme foi realizado como forma de homenagem ao poeta Sebastião Alba através de um poema de Antonin Artaud intitulado "A Busca da Fecalidade" No filme surgem também poemas de Alba e do próprio realizador Ricardo Leite. O filme foi inteiramente rodado na cidade de Braga, onde o poeta viveu os seus últimos anos de vida. A cruz evocada, a cruz da fecalidade, da decadência, da provocação, é como que um espelho simbólico, Alba, Artaud e o realizador, comungando a poesia das palavras e imagens. Entrecruzam-se assim a essência, o corpo, a merda, parentes num jogo poético, cruel e trágico. Sebastião Alba nasce em Braga a 11 de Março de 1940. Passa a infância em Torre de Dona Chama. Aos 9 anos embarca para Moçambique. Aos 13 anos começa a ler variados clássicos, algo a que o seu pai o incentivava, depois continua a ler por iniciativa própria. Aos 21 anos é arregimentado no contingente geral, em Boane, a cerca de 20 quilómetros de Lourenço Marques, de onde deserta, vindo a ser detido e acusado injustamente por "extravio de objectos militares". Em 1965 com 26 anos, publica o seu primeiro livro em Quelimane intitulado "Poesias". Trabalha como jornalista e angariador de publicidade e conhece o interior mais recôndito de Moçambique. Em 1969 casa com Felisbela e com ela tem duas filhas, Sónia e Neide. Em 1974 morre um dos seus irmãos que lhe era muito próximo num acidente de viação. Nesse mesmo ano é publicado "O Ritmo do Presságio" na Livraria Académica de Lourenço Marques. Lecciona Economia Política e outras matérias num curso de formação da FRELIMO. Em 1978 publica "A Noite dividida". Em 1983 abandona Moçambique e passa a viver em Braga com a mulher e as filhas. A partir daí começa a "abandonar-se", vive em quartos de aluguer, começa a beber e não consegue arranjar emprego fixo. Em 1993 divorcia-se, vai cada entregando-se cada vez mais à errância. Nos anos seguintes começa a fazer-se notado e procurado por algumas pessoas, alguns para lhe falar, outros para o entrevistar. Uma dessas pessoas é Francisco Weyl e Célia Gomes, cineasta e fotógrafa, ambos brasileiros, captam imagens raras do poeta em vida. Alba torna-se então uma referência literária e pessoal para a juventude bracarense. Dorme em abrigos e à porta das igrejas, deambulando, bebendo e escrevendo. A 14 de Outubro de 2000 morre atropelado, o autor do atropelamento foge, alba deixa um bilhete dirigido ao irmão: «Se um dia encontrarem o teu irmão Dinis, o espólio será fácil de verificar: dois sapatos, a roupa do corpo, e alguns papéis que a polícia não entenderá.»

Texto e filme de Ricardo (Cinemapobre)

08 dezembro 2008

Albas [II]

Dona Chama: Aprendizagem

Tive um tio-avô que me levava pela mão, por entre os olivais. Ainda está um largo com o nome dele, ao lado da igreja de Torre-Dona-Chama. Levávamos os dois duas fatias de centeio para o lugar do Seixo. Nunca me citou um versículo dos Evangelhos. Eu tinha 5 anos. Só muito mais tarde me apercebi de que ele me estava a ensinar qualquer coisa. Ainda hoje vejo pintadas as unhas dos pés das mulheres.
Albas - Sebastião Alba

23 novembro 2008

Albas [I]


Da Torre de Dona Chama


Agora venho acordando às duas, às quatro, às seis da manhã, invadido por sombras. A do Toni, as dos grandes suicidas da literatura portuguesa (e das outras): Antero de Quental que meteu duas balas no palato; a do Mário de Sá Carneiro que se envenenou num quarto de hotel, em Paris; a de Florbela Espanca que se excedeu, numa dose de barbitúricos; a do Manuel Laranjeira, amigo do grande escritor espanhol Miguel de Unamuno, que também se matou; a do Soares dos Reis, talvez o melhor dos escultores portugueses, que pôs termo à vida no Porto. Cheina, há qualquer coisa em tudo isto que não está bem e eu não consigo descobrir o que é. A nossa tia Bina já tem 90 anos. Que longa vida! E se ela não for para o céu, dizem na Torre, ninguém irá.
Continuo a piscar o olho à vida, como há 50 anos, a mandá-la malcriadamente pro...
Não desistirei de a insultar, mas num estilo que nos honre a todos.
Albas - Sebastião Alba

06 fevereiro 2007

Fim de poema

Para que nem tudo vos seja sonegado,
cultivai a surdina.

Em surdina, preparo os utensílios,
em surdina, preparo-me para morrer...
Amo-te! Chut! Em surdina!

A minha vida, nesga entre dois ponteiros,
fecha-se,
em surdina.

Sebastião Alba, inédito

Uma pequena homenagem ao amigo que partiu.

16 janeiro 2007

Novo Mundo


“Os homens olham para as mulheres como se as devorassem – não pensam noutra coisa. As mulheres passam de olhos abstractos – não pensam noutra coisa (ainda que não olhem para ninguém excepto umas para as outras duma maneira gélida, quase cruel). Vestem-se todos para se exibirem uns diante dos outros.
A sua cosmogonia é o jornal “A bola” e a “telenovela brasileira”. Se uma guerra nuclear varrer sociedades destas da face da terra, nada se perderá. A vida renasce, renova-se.”
in Albas - Sebastião Alba