16 abril 2006

Tourém

“É um naco de terra portuguesa que mais se afigura uma seta cravada em Espanha. São alguns (poucos) quilómetros quadrados rodeados por chão galego, por todos os lados menos por um.

Embora ganhando forma de enclave lusitano na Galiza, o certo é que as suas gentes não querem confusões relativamente à identidade cultural.

Nós somos portugueses e eles são espanhóis” - proclamam, alto e bom som, para que os forasteiros entendam. E, ao traduzirem esse sentimento, não deixam de acentuar que a sua Pátria é só uma, pese o facto de, desde sempre, “os políticos no poder se terem esquecido de nós ou não saberem que existimos”.

Tourém - assim se chama essa aldeia portuguesa quase perdida lá pelos montados do Barroso onde Portugal e Espanha quase se confundem dada a dificuldade em localizarem em que sítio um país acaba e outro começa. Aldeia onde - parafraseando um documento do século XVI - "vivem misturados galegos e portugueses, uns metidos por outros e não acerta divisão entre uns nem outros". Tourém cultiva, no entanto, a identidade cultural ainda que as suas gentes se sintam esquecidas "por quem tem a obrigação de também olhar para nós".

Até meados do século XIX, imperava entre eles uma certa indefinição relativamente às suas raízes. Reza o velho manuscrito que, quando os habitantes "fazer casa nova, perguntam aí se a fazem por de Portugal se por de Galiza e, se dizem por de Portugal, são-no, e se de Galiza, também; e hoje são todos galegos e amanhã portugueses”.

Em função da assinatura, há cerca de 130 anos, do Tratado de Limites, o povo de Tourém viu definida a sua nacionalidade e, a partir de então, Portugal passou a ser, de facto, a sua Pátria, tal como a sua língua, que não deixam poluir com o castelhano.”
fonte: www.serra-do-geres.com

Forno do Povo
Tourém - Portugal

Para mais informacões:

Aqui!

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13 abril 2006

Minho profundo

Mosteiro de São Miguel de Refojos,
Cabeceiras de Basto - Portugal


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12 abril 2006

119 deputados faltam na Assembleia da República (das bananas...)

Hoje, uma votação na Assembleia da República não foi efectuada por falta de deputados... Segundo a notícia da RTP1 faltaram 119 deputados aos trabalhos... Motivo: alongamento das férias!!!

Os trabalhos na AR serão interrompidos hoje e só serão retomados Terça-Feira. Como 5 dias de Férias não chegavam aos nossos deputados, faltaram hoje para poder ter 6 dias...

Comentário do presidente da AR: "Vou marcar falta..." UAU... Não era suposto fazer isso sempre que alguém falta?

Andamos nós a ouvir mandar apertar o cinto, a trabalhar 62 horas por semana, repito, 62 horas por semana, para depois aqueles que vem cheios de moral a televisão falar em problemas de productividade no ensino, nos serviços de saúde e na administração pública faltarem para fazer FÉRIAS????

Está bonito está...

"Uma cousa exquesita"
Rafael Bordalo Pinheiro - 1894
NA

Derreter as bisnagas

Abram as vistas!





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FR

Silvio










Perdoem estes meninos, são crianças a brincar.






Hei moço!! Fiz merda.....







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10 abril 2006

Guimarães e Braga

25 de Março de 2006, Revista “Notícias Sábado” do Jornal de Notícias:

Mau Minho: A rivalidade entre Braga e Guimarães tem quase MIL anos. Tentámos encontrar um consenso entre as duas cidades. Impossível. Eles não se entendem.

Não fale nessa palavra que eu enervo-me.” A palavra é Braga, e Pedro Araújo é engraxador há 28 anos junto ao largo do Toural, em Guimarães. “Tomo conta da muralha, só saio daqui quando retirarem a placa ‘Aqui nasceu Portugal’.” Não atende clientes “da vila das Taipas para cima”, não vai a casa dos familiares bracarense e lamenta o BI registado, sem alternativa, na Cidade dos Arcebispos. Mas o que inquieta mais este engraxador é o Vitória, o maior clube de Guimarães. “A Senhora da Penha vai iluminar-nos para não descermos de divisão.” Pedro Araújo, 42 anos, benze-se, ajeita o casaco vitoriano e mostra o cartão da claque White Angels. “Vejo todos os jogos”, acrescenta, “Só vejo branco à frente”. Em Guimarães nem as filiais dos “três grandes” entram.

Idalécio Guimarães , nem de propósito, vai mais longe. “Se tentarem abrir uma filial, eu destruo-a.” O antigo líder da claque Insane Guys já teve o carro partido, foi sovado e ameaçado. Garante que pagou da mesma moeda. Tudo por amor ao clube e pela rixa com os bracarenses.

A bola agita as mentalidades. Guimarães tem a camisola mais cara da Liga (65 Euros), segue-se ao Benfica, Sporting e FC Porto na assistência média (14 mil pessoas contra 11,5 mil no municipal de Braga) e o número de quotas quase dobra o SC Braga.

As claques Bracara Legion e Red Boys preferem olhar para a tabela (o Braga ocupa o quarto lugar, enquanto o Guimarães está no grupo dos últimos classificados). “Em dia de um ‘derby’ há sempre porrada, autocarros partidos e pedras a voar”, diz João Mané, líder dos Red Boys. Evandro Lopes, um dos responsáveis da Associação Bravos da Boa Luz, nascido “mesmo na freguesia da Sé” de Braga há 51 anos, homenageou há poucas semanas o avançado Bino, um dos vencedores da Taça de Portugal na época de 1965/66. É o único grande título de futebol do Minho. “O futebol serve de desculpa a um micróbio qualquer que contamina o subconsciente das duas cidades”, explica. Recentemente, este gestor de crédito investigou a árvore genealógica para saber se o seu “sangue era cem por cento brácaro”. “Confirmou-se!”, diz aliviado. Anos ante, já Evandro tinha provocado os vimaranenses, ao gerir um restaurante chamado Conde D. Henrique, junto a uma das capelas da Sé, no centro de Baga.

O Imperial é o café/residencial mais antigo de Guimarães. Por aqui passaram Vasco Santana, Amália Rodrigues ou Ruy de Carvalho. Construído em 1946, é dirigido pelos irmãos septuagenários José e Domingos Gonçalves. “Ser vimaranense é ser português e sentir o hino duas vezes”, atira José. “Nem fica bem dizer, mas fala-se que D. Afonso Henriques nasceu em Coimbra”, acrescenta Domingos. “É um sino que toca a rebate. Estão em causa valores, tradições, a luta”, explica Amaro das Neves, director da Sociedade Martins Sarmento.

Quem estica a corda é Henrique Barreto Nunes, director da Biblioteca Pública de Braga. “Dizer que o Condado Portucalense nasceu em Guimarães é uma interpretação, embora a batalha decisiva tenha sido lá. Quando se diz ‘Aqui nasceu Portugal’, fala-se do Minho.” Para este historiador, berço da monarquia é diferente de berço da nacionalidade. Salazar é também responsável pela confusão. O ditador português desfigurou o Paço dos Duques com a ajuda de um arquitecto francês: queria dar a ideia de que num quarto dormia D. Urraca, no outro D. Afonso Henriques…


Guimarães ganha a Braga em quilómetros quadrados (241 contra 183) e freguesias (69 contra 62), mas desde 1998 que perde em número de habitantes (161 mil contra 169 mil), quando Vizela passou a concelho. Os dados são da Associação Nacional de Municípios. Curiosamente, 24 de Junho é a data do feriado das duas cidades. Guimarães “vive”a batalha de S. Mamede; Braga distribui martelinhos e alho-porro no São João.

A política é uma colisão efervescente. Há vários exemplos. Fernando Ribeiro da Silva foi o último vimaranense governador civil de Braga, mas serviu os dois concelhos com imparcialidade; a sede da Grande Área Metropolitana do Minho, agora mortiça, foi disputada pelas duas cidades; a oposição vimaranense tem pedido a autonomia do ‘campus’ universitário local nas campanhas eleitorais; o município de Guimarães não pertence à Região de Turismo do Verde Minho (RTVM), mas sim à Zona de Turismo de Guimarães (ZTG), estrutura criada pela autarquia nos anos 80, alegadamente por conflitos pessoais e receio de diferenças na promoção e acesso a verbas. Actualmente, a discórdia gira à volta do Instituto Ibérico de Investigação e Desenvolvimento, ligado à investigação em nanotecnologia. O actual Governo anunciou-o para Braga. António Magalhães, presidente da Câmara de Guimarães, e a Associação Comercial de Guimarães corrigiram a notícia. Seria “no distrito de Braga” e, por isso, integraram-no no Parque Tecnológico das Taipas (AvePark). A novela não acaba por aqui. Francisco Mesquita Machado, presidenta da Câmara de Braga, também do PS, garante que José Sócrates, primeiro-ministro, lhe prometeu “pessoalmente” o instituto para Braga. A decisão só será conhecida na próxima cimeira luso-espanhola, a realizar em Dezembro.

Os limites concelhios também divergem. A entrada do Hotel da Falperra está sobre uma divisão imaginária. O imóvel situa-se nos limites do concelho de Guimarães, mas o parque pertence a Braga. Os seminaristas, esses, dizem que a separação é na antiga cozinha do hotel. “Por casualidade política, somos de Guimarães, o que confunde os operadores turísticos, clientes, carteiros e noivos que casam aqui”, revela Susana Miranda, directora do hotel. A igreja de Santa Maria Madalena, logo ali ao lado, tem o mesmo problema. Os marcos seculares deixam as escadas do templo barroco para Braga; a Carta Militar de Portugal diz que só a sacristia é de Guimarães. Curiosamente, Mesquita Machado casou nesta igreja. Em 2003. o PS e o PSD de Guimarães exigiram a retirada do monumento do ‘site’ da autarquia de Braga. Em vão. João Lopes da Confraria da Irmandade de Santa Maria Madalena, garante que a igreja se fez virada para a cidade a que pertencia. “Seria bom pertencer religiosamente a Braga. Quinze quilómetros para tratar da papelada é um exagero…
A polémica resvala para as salas de aula. A Universidade do Minho (UM) foi prevista para Caldas da Taipas, uma vila entre Braga e Guimarães. Mas a dissonância levou o Governo a conceder, em 1976, a reitoria a Braga e os cursos de Engenharia a Guimarães. No ano lectivo de 1985/86 houve “uma grave crise interna”, explica o antigo reitor Sérgio Machado dos Santos. Os docentes de Engenharia repudiaram a evolução artificial e menorizada do seu pólo de Azurém. António Guimarães Rodrigues, actual reitor, mantém-se a margem do debate e procura, antes, aproximar a região com projectos científicos e culturais.
Os alunos da UM, mesmo os que chegam de fora preferem viver em Braga. A capital do Minho possui o dobro dos universitários e “há mais animação”, dizem. O propósito traje académico é polémico. Alunos naturais de Guimarães ou que estudem em Azurém recusam usar as bermudas e o tricórnio e pintam as casas de banho com essa reivindicação. A vestimenta do secular Colégio São Paulo, em Braga, foi reavivada em 1989. A Associação de Comissões de Festas Nicolinas defendeu a utilização do nicolino (capa e batina a moda coimbrã), o único traje do estudante local. A Queima das Fitas só agrava a discussão. A solução passa por entregar a Recepção ao Caloiro a Guimarães (Outubro) e o Enterro da Gata a Braga (Maio).

A História

O pontapé de partida no conflito tem cerca de mil anos. O geógrafo Miguel Bandeira diz que a Carta do Condado delimitava o coute de Braga, separando desde cedo o senhorio eclesiástico (com justiça e impostos próprios) do condal. “Era um Vaticano, uma cidade-Estado.” O conde D. Henrique instalou-se em Guimarães. O clima subiu de tom com a Colegiada da Senhora da Oliveira, em Guimarães, que tinha jurisdição da Santa Sé. O arcebispo de Braga, D. Estêvão Soares, queixou-se ao Papa Inocêncio III “de os priores da Colegiada terem regalias a mais”, conta Alves de Oliveira no 36º ‘Boletim dos Trabalhos Históricos’. A Concordata de 1216 vexava os vimaranenses. D. Estêvão Soares desentendeu-se com D. Afonso II. A Colegiada aliava-se ao rei, que pediu para destruir bens do metropolita. Burgueses vimaranenses queimaram celeiros, pomares e matas. Foram excomungados. A directora do Museu Alberto Sampaio, Isabel Fernandes, lembra que até ao século XVIII diversos clérigos insistiram em visitar a Colegiada. A maioria ficara à chuva e tentava investida nocturna.
Há mais histórias dentro da História. Em 1883, o cortejo fúnebre de uma bracarense que vivia em Guimarães foi recebida à entrada de Braga por uma multidão munida de paus, que exigia que o corpo fosse levado para o cemitério num carro local. A família negou, houve pancadaria e o cadáver foi arrancado com violência. A querela reacendeu em 1885, numa sessão da Junta Geral do Distrito de Braga. Os procuradores vimaranenses José Minotes, conde de Margaride e Joaquim de Meira – explica Amaro das Neves – foram perseguidos, assobiados em enlameados e a carruagem apedrejada aos gritos de “Morra Guimarães. Ninguém ficou ferido.
Cerca de duas mil pessoas saíram à rua, mais de um décimo da população da cidade. Em causa estava a sessão para a aprovação do curso complementar de ciências no liceu local. “As duas localidades desestimam-se de sobra para viverem unidas”, titulava um dos jornais locais. Maria Adelaide Morais, investigadora vimaranense, recorda o incidente “O meu bisavô jurou-me que a partir daí não pôs os pés mais em Braga.

Em
Guimarães
, ainda em 1885, organizava-se uma marcha de protesto com archotes e uma reunião na Associação Artística. A sessão extraordinária do executivo decidiu a “União ao [distrito do] Porto”, criando a comissão de vigilância e resistência. As casas começaram a ostentar bandeiras com a divisa “União ao Porto”. As senhoras bordaram uma bandeira azul e branca com a inscrição “Antes quebrar que torcer e enviaram uma representação à rainha a pedir protecção. Os bracarenses responderam com representações e reuniões contra a desanexação. O Governo fontista, por sua vez, envia o deputado João Franco a Guimarães na celebração dos 700 anos da morte de D. Afonso Henriques (6 de Dezembro de 1885). O projecto de lei de desanexação administrativa e política foi aprovado a 17 de Julho. O município ficaria sob a alçada de Lisboa até à República.

Actualidade

Braga é apelidada em Guimarães de terra dos três pês (padres, putas e paneleiros). É a cultura popular alimenta os ânimos. Joaquim Esteves, artesão, fez a estatueta ‘Três Pês’ a pedido da Região de Turismo. Recebeu dezenas de encomendas, deixando a arquidiocese à beira de um ataque de nervos. As caricaturas ainda mostram bracarenses a erguer tamancos, a comer frigideiras e a trocar o v pelo b; ou Guimarães a erguer garfos, a comer sardões ou passarinhos e a abrir as vogais.
Carlos Nunes, ourives, recorda-se dos “brilhas”, os industriais novos-ricos do calçado e têxtil de Guimarães, que entre os anos 50 e 80 reluziam com brilhantina no cabelo e carro novo. “Recusavam passar por Braga quando iam ao Norte”, acrescenta.
Durante esse período, houve imensos casamentos entre rapazes vimaranenses e raparigas de Braga. Eles, filhos de industriais novos-ricos, elas, desejadas pela beleza e prestígio intelectual. “Eu contrario o provérbio ‘de Braga nem bom vento nem bom casamento’”, diz João Guimarães, a viver em Braga há 40 anos. Este minhoto toma habitualmente o café da manhã na Confeitaria Lusitana com Emílio Lacerda, o sócio mais antigo do ABC de Braga. “Guimarães não tem o comércio moderno de Braga”, diz um, “Braga não tem o centro de Guimarães”, responde o outro. Há sempre uma diferença, um trunfo para ser jogado na melhor altura. Como a dos “espanhóis” e dos “marroquinos”.

Nos anos 90, o Vitória de Guimarães terá sido prejudicado num jogo para o campeonato de futebol. Os adeptos, furiosos, destruíram o carro do árbitro em desespero. Na jornada seguinte o clube jogou em casa emprestada – em Braga justamente. Um cartaz acompanhava os vitorianos: “Para sermos tratados assim, mais vale sermos espanhóis.” O “descuido” foi adaptado de imediato. Os vimaranenses, tão fervorosos pela pátria, passavam a ser “os espanhóis”. Meses depois, a retaliação contrariava a ordem geográfica: os bracarenses passavam a ser “os marroquinos”. A teima, usada em tom de brincadeira, vinca uma ironia secular."

FR

04 abril 2006

Sons de infância...

Quem é capaz de dizer que nunca teve um momento ou outro mais nostálgico onde se lembrava das musicas das séries televisivas de quando era criança? Tantas e tantas vezes que ouvi o Jorge cantar musicas de spots publicitários que não me lembrava mais de alguma vez terem existido. Ou do Cristóvão que cantava musicas do Tom Sawyer...

Para todos os interessados há agora um site (Mistério Juvenil) onde podem relembrar tudo isto e muito mais...

Divirtam-se a relembrar o tempo onde não havia obrigações nem compromissos... Ai, o Paraíso...

NA

Páscoa s.XXI

Nas caixas de correio de uma freguesia bracarense apareceu estes dias uma carta interessante, da Igreja, o que é normal em tempo de Páscoa. No seu interior vinha um folheto com uma mensagem do Padre e a lista dos itinerários das numerosas cruzes do compasso. Fiquei chocado ao ver que no exterior do envelope vinha escrito:

“ajude a pagar as obras do nosso centro pastoral e paroquial

Nome:____________________________

Morada:___________________________

(N.B. Se estiver interessado pode pedir recibo no Cartório Paroquial para efeito de IRS)“

Que as paróquias gostam de receber umas massas na Páscoa, já toda a gente sabe; o que me deixou confuso e espantado foi a frieza gananciosa do envelope que serve para informar os paroquianos dos compassos e para divulgar a mensagem de Páscoa do Padre, mas também serve para introduzirmos no seu interior dinheiro e para preenchermos os nossos nomes e respectivas moradas. Será este ritual mais cristão que a bênção dos lares (mesmo sem padre) e o beijo em Cristo Ressuscitado? Será que as paróquias pretendem fazer uma base de dados com as ovelhas negras, assim-assim e as abastadas do rebanho? Será pura estatística? Será esta uma forma directa de ir ao encontro de Deus ou de praticar boas acções?

Na Alemanha já existem igrejas com caixas de esmolas automáticas que aceitam cartões Multibanco e de Crédito, em que o crente dá a quantia que quiser. Qualquer dia temos porteiros nas igrejas a entregar cartões de consumo ou free-passes.

Há coisas do Diabo.


FR

“But I am a demon who dresses in red
And I do not hope you will understand...Mephisto”

Castelo de Almourol

Prédio Militar n.º 6. Nem mais, nem menos. Por muito estranho que possa parecer, é esta a denominação toponímica e cartográfica do Castelo de Almourol, conquistado por D. Afonso Henriques aos mouros e com histórias mil para contar. A explicação é simples. Afinal de contas, trata-se de uma propriedade do Exército português, inevitavelmente incluída nos roteiros turísticos nacionais e de além-fronteiras.

Lá para os lados de Tancos, entre Vila Nova da Barquinha e Constância, Almourol ergue-se do alto dos seus cerca de 310 metros de comprimento, 75 de largura e apenas 18 de altura. No meio das águas do Tejo, há séculos “plantado” num pequeno ilhéu, ocupa uma diminuta formação granítica literalmente a dividir as margens do rio e que desde sempre serviu como um ponto nevrálgico ao nível das manobras militares. Aliás, ainda hoje a Escola Prática de Engenharia de Tancos, proprietária daquele e de grande parte dos espaços envolventes, aqui realiza exercícios do seu ramo.

Apesar de classificado como monumento nacional desde 1910, esta construção secular depende há muito da teimosia de alguns, e do descuido de outros tantos, em conservar a memória deste guardião do Tejo.

Críticas à parte, o certo é que o cenário não deixa de ser romântico e idílico. Ao amanhecer, a paisagem mais parece retirada de um postal antigo, com aquela austera fortaleza envolta por suaves luzes matinais e por uma misteriosa bruma. À sua frente, junto às margens do rio, não falta sequer uma pachorrenta burra, de nome Bianca, a saborear as ervas rasteiras junto a uma construção em madeira, prometida como posto de turismo mas que acabou por ser um snack-bar... e eis que acordamos para a realidade! No artesanal e improvisado cais suspenso por bidons e por um bamboleante passadiço de madeira, entra-se num filme ao estilo de Emir Kusturica, em que um dos simpáticos “comandantes” destas chatas ou picaretes – embarcações tradicionais da região que transportam os visitantes até ao castelo – encarna uma imponente personagem de pele curtida pelo sol, com os pulsos cheios de pulseiras ornamentadas por dezenas de moedas pendentes.

A travessia faz-se em menos de dois minutos, mas pode prolongar a viagem por mais alguns instantes se pedir ao barqueiro para dar a volta a todo o ilhéu. Há, então, que lançar as amarras para pisar o palco de solenes e sangrentas batalhas históricas e até mesmo de uma recente telenovela brasileira, em que um dantesco vampiro assomou à imponente torre de menagem.

Mas cuidado; como já acima se referiu, longe vão os seus tempos de glória. Agora, e enquanto não se concretizar o prometido Parque de Almourol (um mega-projecto de capitais públicos e privados que quer criar ali e nas margens envolventes, de Vila Nova da Barquinha à Praia do Ribatejo, um pólo de lazer, desporto e cultura – ver o site), resta-nos percorrer o interior e o exterior do castelo, desviando-nos de ervas daninhas, mato selvagem na sua maioria e perigosas armadilhas. Vá, portanto, com atenção, e até pode ser que, no meio dos escondidos caminhos em cimento construídos pelos militares que já percorreram o local em jeito de circuito, descubra a entrada de um dos misteriosos túneis que, reza a historia contada de boca em boca, ligavam a ilha às margens.

Mantido pela Escola Prática de Engenharia de Tancos, uma ou outra beneficiação lá vai (foi?) sendo feita. É o caso da iluminação nocturna do castelo, levada a cabo em Abril de 1988, dez longos anos após o início do projecto. Seguiram-se-lhe outras alterações, como por exemplo a plataforma de madeira servida por uma íngreme escada e que dá acesso à torre de menagem. Dali do alto poderá avistar não só a ruína do abandonado e secular Convento do Loreto, mandado edificar na margem direita do rio, em 1572, por D. Álvaro Coutinho, um dos muitos senhores de Almourol, como também toda a paisagem que se espraia curso acima e arredores. O alcance da vista é fantástico, explicando-se assim o porquê da sua intensiva utilização militar ao longo dos séculos.

Texto de Miguel Satúrio Pires,
Revista Rotas e Destinos



Castelo de Almourol, Portugal



Para mais detalhes e informções clique:

Aqui!



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01 abril 2006

Quem paga tudo isto?

Vem a público que na semana passada (Revista Sábado), foram a S. Paulo (Brasil), à inauguração do Museu de Língua Portuguesa, o presidente da camâra de Lisboa (Carmona Rodrigues) e a Ministra da Cultura (Isabel Pires de Lima). As despesas foram pagas pelos convidades e não por quem convidou (Prefeito de S. Paulo).

Enquanto a ministra, devido aos cortes orçamentais do Ministério, apenas se fez acompanhar pelo seu chefe de gabinete, deslocando-se num único carro, Carmona Rodrigues fez-se acompanhar por uma comitiva numerosa que incluía o assessor de imprensa, o vereador da Cultura, os dois chefes de gabinete e um director de serviço da autarquia, ao todo 3 carros oficiais.

Já sabiamos que a câmara de Lisboa estava marcada por pequenos luxos tipo Audi A8 e coisas do género, mas grandiosidades destas ao ponto de se pensar que Carmona Rodrigues é que era o ministro e a outra senhora a presidente da câmara, tem muito que se lhe diga... Afinal de contas quem está mal de finanças e o governo e não as autarquias ;)

NA



Museu da Língua Portuguesa, São Paulo, Brasil

19 março 2006

O acidente da semana passada...

O noticiário de hoje anuncia a morte de mais um dos jovens que, no Domingo passado, viram as suas vidas desaparecer no pilar de uma ponte da variante que liga Braga a Prado.

Mais do que perceber o porquê do acindente acho que se devia reflectir sobre as condições em que muitos jovens são transportados no desporto amador. Enquanto os "grandalhões" do futebol profissional são presenteados por grandes prémios de jogo e transportados, ora em camionetas com ar condicionado e bar, ora em 1ª classe dos aviões, outros jovens, que correm pelo amor a camisola e a vontade de jogar e ser alguém pelos pés, são transportados em carrinhas sem seguro e cintos de segurança, como se de um transporte de animais se tratasse...

Uns viram a sua exibição nesta vida interrompida por um vermelho directo ainda no aquecimento, outros ficaram tatuados no peito com a imagem da morte dos companheiros...

Por acreditar que dos momentos maus se devem tirar lições, espero que, responsáveis dos clubes e poder político saibam tirar daqui as devidas conclusões... Legislem, financiem, proíbam, façam o que acharem melhor... Mas não deixem que o bonito de ver alguém correr por amor à camisola termine numa grande tragédia...

NA

16 março 2006

A crise selectiva...

Ontem, Quarta-Feira (16 de Março), ouvi na rádio que a Porsche pensa abrir em Portugal mais dois "stands" da marca (sei que um será em Leiria e o outro não sei onde será). Segunda a informação, a marca vendeu até ao final do mês de Fevereiro 50 carros em Portugal e prevê vender mais 300 até ao final do ano (um total de 350 carros em 2006).

Segundo a marca, o nosso país tem muita tendência e condições para comprar carros deste estilo.

Desde ja queria dar os parabéns ao Sr. Ministro responsável pela área do turismo... Tal como uma familia hospitaleira, quando recebe pessoas em casa, evita as discussões familiares em frente das visitas, também o nosso país teve a capacidade de mostrar aos estranjas uma realidade que nós que aqui vivemos diariamente não conhecemos...

Será que com essas confusões que há pelo mundo fora das pessoas não saberem onde é Portugal estes investidores andaram a sondar o mercado espanhol e tiraram conclusões sobre o nosso país? Ou será que já alguém lhes disse que em Portugal a aquisição de bens de elevado valor e proporcional às dívidas que as pessoas têm?

Aqui fica um aviso: "Se tens mais de 18 anos, carta de condução, não tens onde cair morto, mas uma vontade enorme de comprar um Porsche, alista-te na força aerea que isso passa..."

NA

15 março 2006

Onde fica?



Para descontrair um bocadinho, pergunto-vos se alguém sabe onde fica esta Santa, que na sua mão direita segura uma caveira?
Digo apenas que é em Braga....


FR

13 março 2006

Mais nuclear...

Esta manhã quando abri o blog apanhei um susto... Antes de o abrir pensei vou la dar uma olhadela so para ver se há algo de novo, o que tem sido raro nos últimos tempos... Quando abri o site deparei-me com uma "descarga mental" (no bom sentido). Muito bem, assim vale a pena participar num blog.

Quanto ao nuclear acho que o Pedro levantou uma questão bastante interessante... De facto tem, nos ultimos tempos, regressado a praça pública o debate sobre a energia nuclear. Nos últimos tempos tinha ficado esquecido no tempo o assunto... Na verdade, so agora quando paises como a India, a China e o Brasil (que ja vai construi o seu terceiro reactor nuclear, os dois primeiros chamam-se Angra I e Anga II) se lancaram de cabeça na tecnologia nuclear e com a proposta de um empresário português para lançar um negocio do estilo em Portugal, se voltou a falar do assunto.

De facto a India, China e Brasil são, no entender dos mais atentos ao mundo dos investimentos, os países que mais prometem para o século XXI. No entanto, países como os Estados Unidos estão a abandonar a ideia do nuclear (penso que foi no estado de New York que recentemente se fechou uma central nuclear acabada de construir).

Mas afinal quais são as vantagens e desvantagens do nuclear. Bem como vantagens já são muito conhecidas, na verdade a energia nuclear apresenta menor custo por kWh (para ter uma ideia e a energia necessária para manter o vosso forno a trabalhar durante uma hora) do que a energia obtida das centrais termicas (gas e carvao), para além disso, Portugal tem grandes quantidades de Urânio o que é a matéria prima para a central nuclear (ao contrário do petróleo e do gás natural que temos que comprar a outros paises). Estas e outras vantagens estão bem apresentadas no texto do Pedro.

No entanto acho que faltou a prespectiva contrária... O Pedro falou do lixo resultante do processo nuclear, mas e preciso deixar bem claro que este não é um problema menor... É um problema sério. Na verdade os produtos da reacção nuclear são elementos altamente perigosos e que devem ser muito bem guardados. O problema e que qualquer manual do tipo: "Centrais nucleares for Dummies" indica que e necessarios enterrar o material num solo com baixa actividade geologica para garantir que não vai haver estragos... O problema e que isso não é uma solução. Enterrar os problemas nunca resolveu nada, e por muito que me digam que o resultado disso não vai fazer ser sentido na nossa geração não me deixa mais descansado... Eu não quero que no futuro olhem para mim da mesma forma que eu hoje olho para a Eva, que por causa de um pecado menor andamos todos aqui a pagar... ;)

Para além do problema dos residuos surge tambem o problema de toda a poluição associada ao processo de enriquecimento de Urânio (obtencao do isotopo necessario a reaccao nuclear), uma das componentes mais poluentes do processo de produção de energia nuclear. A maioria dos estudos de impacto ambiental só entra em linha de conta com o processo dentro da própria central. O processo de enriquecimento de urânio ocorre antes da chegada a central, apenas 1/4 do minério recolhido na mina é aproveitado para ser enriquecido, este processo gasta ainda grandes quantidades de água.

Há ainda o problema da construção da própria central, já que uma central nuclear é contruída com muitos metais pesados (número atómico elevado e nao peso propriamente dito), que são altamente poluentes.

No que toca a situacao portuguesa ainda ha o problema de so haver dois fisicos portugueses capazes de gerir uma central nuclear, e se estamos a construir uma tecnologia para dar emprego aos outros não estamos a resolver um problema nacional... (esta opiniao pode ser bairrista mas os americanos tambem sao e chegam onde chegam).

Antes de estar de acordo com o nuclear preciso de saber se: a energia das marés não é uma boa solução para um país com uma costa bastante extensa, se a energia eolica e, ou nao outra solucao, e se depois de construir todas as centrais de energias alternativas que a comunidade europeia obriga continua a justificar uma solução como a nuclear para o consumo energetico que se tem hoje e que se pode vir a ter daqui a 100 anos.

Fico atento a mais assuntos neste blog,

NA

P.S. Um abraço também para ti Pedro e assinem para se saber quem escreveu.

12 março 2006

Nuclear ganhou terreno, by Pedro Almeida

"O consumo de energia nuclear para produzir electricidade ganhou terreno no ano passado, ao subir 4,4%, após perder 2% no ano anterior. O Japão, o Canadá e a China lideraram as subidas no recurso a esta forma de energia, mas os Estados Unidos mantiveram-se como o país com maior quota de nuclear (quase um terço do total mundial). Na Europa, vários dos países ricos continuaram a desinvestir nesta tecnologia no Reino Unido, por exemplo, caiu 10% e na Holanda perdeu 4,8%. Outros, como Suécia, a Roménia ou a Hungria, consumiram mais nuclear. Do outro lado do Atlântico, também o Brasil e o México diminuíram o recurso a electricidade produzida a partir de centrais nucleares".

In JN

Será que devemos aderir à energia nuclear como forma de diminuirmos a nossa dependência da energia proveniente do petróleo e do gás natural? Quais as vantagens?

Penso que em relação e este ponto poderemos discutir os impactes (impactos - cada um usa o que quer) ambientais da implementação da energia nuclear no nosso país. Poderemos discutir a estratégia a seguir, nunca esquecendo que sempre que se fala de aspectos ambientais temos que pensar sempre no que faz menos mal, dado que impactes haverá sempre, mesmo na implementação de energias consideradas limpas ou renováveis. Deste modo, e colocando o nosso pensamento ao nível do que irá acontecer na próxima década, obtemos o seguinte:

. preço dos combustíveis fósseis a subir, dada que a crescente procura por parte da população não irá ser acompanhada pela curva da oferta; o Homem tem solucionado este problema com mais e melhor tecnologia, indo "buscar" om petróleo mais fundo, mais longe e em locais cada vez mais inacessíveis. Contudo tudo tem um limite;

. os países em vias de desenvolvimento, como a Índia e a China, entres outros, têm uma tendência cada vez maior de consumo energético, não aplicando, no entanto, quaisquer defesas ao nível ambiental. Na próxima década as grandes potencias económicas serão exactamente a Índia, a China e os Estados Unidos - países que não aderiram ao Protocolo de Quito (Peixoto, Ricardo - 2006). Além disso os países pobres costumam dizer o seguinte: "Vocês, países mais ricos, para se desenvolverem estragaram o ambiente global, e nós não temos esse direito?";

. a poluição atmosférica, como consequência do já referido, atacará cada vez mais a camada de ozono, o que provocará um aquecimento global, que por sua vez trará outros problemas, como a mudança da temperatura das correntes marítimas, provocando fenónemos como o El Nino e outras catástrofes naturais, como as vistas durante o ano 2005, com a consequente aparição de furacões, tempestades e inundações. Além disso é provavél a mudança de clima em países habituados a climas temperados, havendo mesmo quem diga que o clima português passará a ser parecido com o Nova York (Peixoto, Ricardo - 2006);

. a maioria dos ambientalistas e seus opositores, não se costumam lembrar, da questão relacionada com o degelo, o que libertará matéria orgânica aí retida, que por sua vez irá ser consumida por bactérias que libertarão metano para a atmosféra (Peixoto, Ricardo - 2006). Penso que toda a gente sabe que as consequências do metano na atmosfera são muito maiores que o dióxido de carbono;

. com o preço do petróleo a aumentar, dada a crescente procura, e a dimuição da oferta, o Homem terá que desenvolver outras formas de garantir combustíveis para os milhares de automóveis, aviões e barcos que, actualmente, garantem o nosso nível de vida, com o transporte de pessoas e bens. Deste modo, a única alternativa que me parece credível é o Hidrogénio. Porém, é sabido que este não se encontra livre na atmosféra, havendo a necessidade de o separar de outros elementos. A molécula mais utilizada será sem dúvida a água com a realização da electrólise. Chegando a este ponto pergunto-vos: onde iremos buscar a energia necessária para realizar a electrólise para obter quantidades de hidrogénio suficientes para so nossos gastos energéticos? Será que a aplicação das energias alternativas é suficiente? Sinceramente não acredito;

. o nosso país produz cerca de 70% da energia electrica consumida a paritr de combustíveis fósseis, uma parte provem das centrais hidráulicas e o restantes são adquiridos a França, com o
pagamento de uma taxa para que esta possa passar por Espanha;

Sendo assim é lógico questionar será que não valeria a pena a implementação de centrais nucleares no nosso país? Não nos deveríamos preparar para a próxima década? Além da desvantagem óbvia do lixo radioactivo que outras desvantagens conhecem? Será que a desvantagem do lixo radioactivo não será mais baixa que a poluição ambiental? O crescimento económico e a comparação com os demais países não dependerá desta atitude?

Que ninguém me venha comparar as economias de Espanha e Portugal. Temos que ser realistas. Qualquer problema que haja nas centrais nucleares espanholas terá repercussão em Portugal, porém não tiramos daí nenhuma vantagem.

Fico à espera da vossa opinião. Consultem o site sobre energia nuclear:

11 março 2006

Bandeiras da Dinamarca

Já se falou bastante sobre o tema das caricaturas que foram publicadas na Dinamarca e que causaram a intransigência do mundo árabe.

Todavia, e há poucos dias, li numa revista um comentário curioso....

Onde é que aquelas pessoas, visivelmente alteradas, e aqui não se discute as suas opções, mas provavelmente sem grandes posses económicas teriam "encontrado" tantas bandeiras da Dinamarca para queimar em frente às câmaras da Al Jazira. Fantástico, não acham?

O colunista não deu a sua opinião, mas referiu que deveríamos pensar porque é que só houve reacções às caricaturas dois meses depois destas terem sido publicadas. Será que foi tudo inteligentemente calculado para inflamar o pensamento da população árabe, mas dando tempo para que as referidas bandeiras da Dinamarca fossem reunidas e distribuídas? Temos a liberdade de pensarmos o que quisermos, porém, fiquei com a impressão que todo este processo está inerente a todos os acontecimentos que recentemente ligam o ocidente e o mundo árabe: 11 de Setembro, invasão do iraque, ataques em Madrid e Londres, preço do petróleo, energia nuclear no irão, Hamas a ganhar as eleições, a promessa de novas intervenções terroristas em solo americano, etc. Teremos que pensar qual o objectivo desta estratégia.

Em que mundo vivemos? Será que podemos viver em paz? Ou é importante para alguns que os confrontos se mantenham para que os seus intuitos económicos sejam alcançados, ou que pelo menos passem despercebidos à população em geral? Pensem no assunto.

MÜLLER NO HOTEL HESSISCHER HOF

MEDEASPIEL
[Heiner Müller - Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro]



Uma cama desce da teia e é colocada de pé. Duas mulheres com máscaras mortuárias trazem para o palco uma jovem rapariga e instalam-na de costas na cama. Vestir da noiva. Atam-na à cama com o cinto do vestido de noiva. Dois homens com máscaras mortuárias trazem o noivo e põem-no de cara voltada para a noiva. Ele faz o pino, caminha sobre as mãos, pavoneia-se frente a ela, etc; ela ri silenciosamente. Ele rasga o vestido de noiva e toma lugar ao lado da noiva. Projecção: acasalamento. Com os farrapos do vestido de noiva as máscaras mortuárias homens atam as mãos e as máscaras mortuárias mulheres os pés da noiva às extremidades da cama. O resto serve de mordaça. Enquanto o homem, frente ao seu público feminino, faz o pino, caminha sobre as mãos, pavoneia-se, etc, o ventre da mulher incha até que rebenta. Projecção: parto. As máscaras mortuárias mulheres tiram uma criança do ventre da mulher, desfazem os seus nós e metem-lhe a criança nos braços. Durante esse tempo as máscaras mortuárias homens cobriram-no de tal modo de armas que o homem não pode mais mover-se senão a quatro patas. Projecção: massacre. A mulher desvia o seu rosto, desfaz a criança e atira os pedaços na direcção do homem. Da teia caem sobre o homem restos de membros entranhas.


FLORESTA EM SONHO

[Heiner Müller - Adolfo Luxúria Canibal / António Rafael]

Esta noite atravessava uma floresta a sonhar
Ela estava cheia de horror. Seguindo a cartilha
Os olhos vazios, que nenhum olhar compreende
Os bichos erguiam-se entre árvore e árvore
Esculpidos em pedra pelo gelo. Da linha
De abetos, ao meu encontro, através da neve
Vinha estalando, é isto um sonho ou são os meus olhos que a vêem,
Uma criança de armadura, coiraça e viseira
A lança no braço. Cuja ponta faísca
No negro dos abetos, que bebe o sol
O último vestígio do dia uma seta de ouro
Atrás da floresta do sonho, que me faz sinal de morrer
E num piscar de olho, entre choque e dor,
O meu rosto olhou-me: a criança era eu.

FR

Medidas de Direita

Olá pessoal!

Já tinham saudades minhas?

Desde já queria as boas vindas ao Nuno Araujo, que tem sido bastante participativo. Um abraço Nuno.

Hoje acordei com vontade de mudar algo na minha vida. Assim, a primeira medida a tomar será tentar participar um pouco mais neste blog, já considerado, por alguns, como o blog do Chico, dado que, durante algum tempo, só ele aqui se pronunciou.

Bem, mas isso faz parte do passado.

Vocês hoje viram as notícias de que nos chegaram de França? O governo irá aprovar uma lei que possibilita a qualquer patrão despedir qualquer seu empregado durante os dois primeiros anos de trabalho, sem que tenha alguma razão para tal Mas que raio de ideia é esta? Já pensaram nas consequências sociais de tais medidas. Já se pensou nos potenciais abusos que os trabalhadores irão sofrer por parte dos seus patrões? Será que irão aceitar salários mais baixos, dado o medo de serem despedidos?

Eu como homem de princípios de direita, poderia ficar contente com tal medida. Mas afinal o que é ter ideias de direita? Simplesmente acredito que há um equilibrio entre medidas de apoio social e medidas económicas. Contudo, penso que tal equilibrio se alcança usando uma via de protecção às empresas, criando riqueza, que, posteriormente ou paralelamente, poderá ser usado para medidas de apoio social, e ao contrário (ensina-o a pescar em vez de lhe dares o peixe). Do mesmo modo sou contra a ideia inicial que o estado deve ter um papel de protecção total dos seus cidadãos. Penso que a nossa atitude se deve reflectir na famosa frase norte-americana: "Não perguntes o que o teu país pode fazere por ti, mas sim o que tu podes fazer pelo teu país".

Assim, penso que a medida a tomar é de excessiva protecção do patrão, colocando-os com demasiado poder de decisão, o que poderá ser uma medida de desiquilíbrio social e económico.

Posto isto, pergunto-vos o que acham da notícia que nos chega de França. Acham uma boa medida? Que consequências poderá trazer?

Pedro Almeida

06 março 2006

Sera que vale a pena?

Uma noticia publicada hoje no Jornal Publico, da a conhecer que, em Espanha, a lei prisional vai ser mudada. Segundo relatado, ha cerca de 40 transexuais nas cadeias espanholas que estão presos em cadeias masculinas.
A nova lei vai dar a possibilidade a esses transexuais de escolher se querem continuar na cadeia masculina ou serem transferidos para a feminina.

Perante a noticia perguntei-me logo se valeria a pena uma pessoa virar transexual para ter a oportunidade de ir parar a uma cadeia cheia de mulheres, assim, justificava cada vez mais ir preso. Por outro lado, surge outra questão, se eles forem mesmo transexuais não preferiram estar no meio de homens?

Deixo-vos com esta reflexão,

NA

02 março 2006

Dia do Diabo

A Câmara de Vinhais recria, depois de amanhã (dia 27/02/2006), o Dia do Diabo. Trata-se de uma tradição algo marginal, com comportamentos que, actualmente, são considerados machistas, agressivos e, até, violentos. Grupos de rapazes vestidos de fato de flanela vermelho, munidos de chicote, perseguem raparigas pelas ruas e estas, por sua vez, vão gritando "Ó morte! Ó diabo!".

Habitualmente, as jovens refugiam-se dentro das casas e quando são agarradas pelos diabretes são levadas à força até junto de uma pedra, onde são forçadas a ajoelhar-se, sendo então simbolicamente flageladas com vergastadas.

Tudo isto é acompanhado pela figura da morte, representada por um rapaz vestido de negro e com um esqueleto desenhado na indumentária. A figura transporta uma gadanha, encabada ao contrário. "Contudo, a sua presença silenciosa provoca cenas de autêntica folia, de desordem, e desperta aqueles que vêem o sentimento de medo e de pavor", lê-se numa nota da Autarquia. Quando alguém é capturado, a morte recita algumas orações "Padre Nosso, caldo grosso, carne gorda não tem osso, rilha-o tu que eu não posso. Salve rainha, mata a galinha, põe-na a cozer, dá cá a borracha que quero beber", são alguns exemplos.


Portugal profundo e satânico. Uma das culturas mais ricas do mundo.
FR