11 outubro 2006

Capital Europeia da Cultura 2012

"O Ministério da Cultura tornou pública, no fim-de-semana, a decisão de candidatar a cidade de Guimarães a co-organizadora da “Capital Europeia da Cultura” no ano de 2012. Tendo em conta que o Município de Braga havia formalizado e justificado, em tempo útil e junto das instância próprias, a sua pretensão de assumir tal estatuto, consideram-se pertinentes as seguintes considerações:

-- o Município de Braga felicita a cidade de Guimarães e o seu Executivo Municipal pelo facto de em si ter recaído a escolha para corporizar a candidatura nacional a “Capital Europeia da Cultura/2012”, na certeza de que tudo vão fazer para apresentar uma proposta que eleve e dignifique os pergaminhos socio-culturais da região e do país;

-- o Município de Braga torna pública toda a sua disponibilidade para colaborar neste projecto, designadamente através da cedência de espaços e equipamentos culturais que possam ser considerados úteis para a abrangência que se espera de uma iniciativa deste género;

-- apesar de considerar que a proposta por si elaborada e formalmente remetida ao Ministério da Cultura justificava cabalmente a sua escolha como co-organizadora da “Capital Europeia da Cultura/2012”, designadamente pelo estatuto socio-cultural que a cidade assume no contexto histórico e contemporâneo, o Município de Braga não pode deixar de aceitar democraticamente a decisão tomada pelo Governo, o que faz numa atitude de respeito pelos princípios da solidariedade, sustentabilidade e coesão, conceitos caros à gestão municipal;

-- não tendo resultado a contento o trabalho e o esforço já desenvolvidos para alcançar o objectivo em apreço, o Município de Braga tem, contudo, condições para continuar a afirmar a Cultura como uma das suas áreas de prioritário investimento, potenciando a afirmação da cidade no contexto nacional e internacional e assim fazendo jus ao estatuto que também neste contexto carrega;

-- porque se oferece, o Município de Braga não pode deixar de referir investimentos que enformam a aposta nesta área de intervenção autárquica, cujo expoente mais próximo se apresenta no Theatro Circo, complexo cultural que reabre ao público a 27 de Outubro, reassumindo-se a partir de então como referência nacional e internacional entre os equipamentos do género e onde a diversidade de conteúdos culturais vai ser paradigma constante;

-- em conjunto com muitos outros produtores de conteúdos e espaços culturais que corporizam a oferta da cidade e que dela fazem uma das mais dotadas neste âmbito, o Theatro Circo – é nossa convicção – vai suplantar, por si, os objectivos que, em boa hora, levaram as instâncias europeias a instituir a “cidade europeia da cultura”, o que se prova, desde já, pela adesão pública à diversa programação apresentada para o último trimestre deste ano, cujos principais eventos têm lotação esgotada;

-- mesmo “en passant”, o Município de Braga não pode deixar de lamentar a atitude pública assumida neste âmbito por alguns cidadãos, que ora se apresentam como os primeiros a atirar a pedra da crítica fácil, quando, em contexto de anúncio da proposta da candidatura de Braga a “Capital Europeia da Cultura/2012”, haviam sido igualmente os primeiros a sobre ela expressarem o desdém irónico;

-- e se tais críticas são assumidas por puro interesse político-partidário, não pode deixar de se constatar como curiosidade (!) que iguais atitudes – não semelhantes, mas iguais… – sejam precisamente as assumidas pelos adversários políticos das gestões municipais das restantes cidades envolvidas neste processo.



Em conclusão:

o Município de Braga continua a implementar um projecto político que tem na intervenção e afirmação cultural uma forte aposta, perseguindo um desenvolvimento sustentado, que não pode deixar de ser solidário e enquadrador da coesão regional, nacional e europeia, o que implica que nem sempre os seus projectos e investimentos tenham que resultar vencedores em prejuízo dessa mesma solidariedade. Não sendo “capital europeia da cultura” por um ano, Braga garante, contudo, o sustentado desiderato de ser capital da cultura todos os dias."


Cominicado da Câmara Municipal de Braga

9 comentários:

Francisco Rodrigues disse...

e esta hein?

hoje em dia, vergonhosamente, a história do nosso país escreve-se nos bastidores.

NA disse...

É engraçado ver que a grande bandeira cultural que Braga ergue no ar é o Theatro do Circo...

Será que se tivesse ficado pronto a tempo talvez já podesse ter dado provas de ser, de facto, um grande ponto cultural da cidade???

Sem dúvida que Braga não precisa do título de Cidade Europeia da Cultura para se dedicar mais a cultura... Ficamos a espera das actividades culturais e lá estaremos na primeira fila...

Uma nota especial, se o tópico que fala das críticas de alguns cidadãos, se refere a este blog ;), sim que toda a gente que sabe que é uma referência na cidade, só quero partir em defesa de todos que aqui escrevem afirmando que, nenhum, mas mesmo nenhum, tem interesses partidários... Já o Sr. Presidente da Camara... ;)

Francisco Rodrigues disse...

Subscrevo a 100%

Francisco Rodrigues disse...

Ora bem, quem ler hoje o Diário do Minho, vê um verdadeiro atestado de burrice ao presidente Mesquita. Repara-se facilmente que todo este processo foi um churilho de politiquices e influências, do qual saiu muito bem e com dignidade a câmara de Guimarães.
Em Março, e muito bem, o Reito da Universidade do Minho, Guimarães Rodrigues, sugeriu ao presidente Mesquita uma candidatura em conjunto Braga-Guimarães para capital europeia da cultura. Esta sugestão foi categorica e inequivocamente rejeirtada pelo presidente Mesquita, defendendo este uma candidatura apenas e só com o nome Braga.
Ora, a Ministra da Cultura, que por acaso é bracarense, decidiu-se e na minha opinião, muito bem, por Guimarães.
Foi uma verdadeira martelada na prepotência do presidente bracarense, que agora vem dizer numa atitude de novo riquismo, que põe à disposição de Guimarães o "majestoso" Teatro Circo.

Que confusão, não?

Parabéns à Cidade de Guimarães.


Nota: são estas intriguinas que fazem da Grande Área Metropolitana do Minho uma instituição virtual e morta à nascença. Deveriam remar todos para o mesmo lado, em direcção ao progresso. Deveriam pensar em criar vias de circulação e redes de transportes públicos modernas que sirvam a população. Na sombra e sustentadamente, Viana do Castelo vai-se desenvolvendo. Agora é a vez do Baixo Miinho paralisar. Vergonha!

koolricky disse...

Ia dizer uma imensidão de coisas mas acho que já foi tudo dito. O que tenho a acrescentar é só uma sucessão lógica.
-A CMB fez de bandeira de mandato esta candidatura.
-A CMB perdeu de forma categórica esse desafio.
-Quem foi o responsável por este falhanço? Que consequências isto vai ter? Vamos deixar a pessoa que era responsável por isto no mesmo posto? Quantos mais desafios vamos perder?

É impreterível que rolem cabeças. Não para que o povo fique contente mas para que o mesmo responsável não perca o próximo desafio!

koolricky disse...

Só para rematar o meu último post:
É o que dá a cunha em pretérito do valor pessoal...

Francisco Rodrigues disse...

Só uma ùltima questão:


Guimarães apresentou alguma candidatura ou a decisao da Ministra foi puramente política?

NA disse...

Segundo o que li no jornal apresentou uma proposta... Mas não a vi...

Francisco Rodrigues disse...

...pois, o problema será talvez esse, é que ninguém a viu.