14 junho 2007

Facas

Tribunal ouve sexta-feira aluno que esfaqueou professor da Universidade do Minho

O Ministério Público adiou para sexta-feira o interrogatório ao estudante do pólo de Braga da Universidade do Minho que hoje esfaqueou, ainda que sem gravidade, o presidente da Escola de Direito, Luís Gonçalves, disse à Lusa fonte judicial.

A fonte adiantou que o MP pretende ouvir o aluno na posse de elementos sobre os litígios judiciais que alegadamente mantém com a Universidade do Minho.

Fonte universitária adiantou à Lusa que o aluno pretendia, entre outras reivindicações, que lhe fosse atribuído o estatuto de deficiente, por sofrer de gaguez.

A fonte frisou que, além do inquérito judicial que enfrenta, poderá ser expulso da instituição na sequência do processo disciplinar que lhe vai ser instaurado.

Contactado pela agência Lusa, o professor agredido disse que "teve sorte porque a faca - alegadamente de "cozinha" - estava pouco afiada".

Admitiu que "havia uma relação algo conflituosa do aluno com a Universidade do Minho, que já protagonizara vários incidentes com professores".

Frisando que as feridas que sofreu "são superficiais", o presidente da Escola de Direito disse que "vai agora descansar de um dia agitado".

"Nunca pensei que as agressões à facada fizessem parte do estatuto de um professor", disse.

Uma outra fonte disse à Lusa que a faca brandida pelo aluno se quebrou, "o que terá evitado males maiores".

O docente, que foi agredido por volta das 12:00 no gabinete que ocupa no edifício da Escola de Direito, teve de receber tratamento hospitalar, com "pontos", a cortes superficiais no rosto, num braço e nas costas, mas - segundo fonte das Relações Publicas da Universidade - nenhum órgão ou músculo foi atingido.

Fontes oculares adiantaram à agência Lusa que o professor foi para o hospital pelo próprio pé, mas com a cara e a roupa toda ensanguentada.

Após a agressão, funcionários e alunos do curso imobilizaram o agressor, e chamaram a GNR.

O aluno, Sérgio Barbosa, de 24 anos, protestava contra o processo de Bolonha, dizendo, segundo a fonte universitária, que este método pedagógico o tem prejudicado, impedindo-o de passar de ano e ser finalista da licenciatura.

LM.

Uma funcionária testemunhou o ataque e interveio, acabando por se envolver na luta dos dois.

O aluno reclamava um estatuto especial, por causa de gaguez que dizia sofrer, que lhe terá sido recusado por Luis Gonçalves, Presidente da Escola de Direito, o que,a alegadamente, o terá levado a premeditar o esfaqueamento do professor.

Apesar do cenário, Luis Gonçalves sofreu ferimentos superficiais e encontra-se livre de perigo no Hospital de S.Marcos.

O aluno foi detido e por tratar-se de um crime público, deverá ficar.

in RTP

13 comentários:

koolricky disse...

E este gajo queria ser advogado?

cris disse...

Essa é a pergunta corrente:"este gajo queria ser advogado?".Este e muitos outros que como ele passaram para o lado que diziam querer combater! ser advogado não é a maneira e ser de uma pessoa, ser advogado não significa ser justo e não cometer erros, tal como ser gestor não significa ser honesto, tal como ser médico não quer dizer ser Deus e salvar o mundo de todos os males...É lamentavel o que aconteceu e espero que muita gente que anda a fazer piadas sobre a situaçao tenha consciência da gravidade da mesma.Quanto ao aluno- agressor espero que se faça justiça, a mesma que ele andava aprender e que vai sentir na pele...mas do lado menos privilegiado.

clickmailbekita disse...

Aconselho uma visita a este blog, para uma melhor compreensão de alguns factos não revelados pela e na comunicação social.

http://casinodaelsa.blogspot.com/

Merecem especial atenção alguns dos comentários

Francisco Rodrigues disse...

Apesar da excessiva violência, este parece-me um caso que merece profuncda reflexão.

NA disse...

Eu não acredito nem quero acreditar que aqueles que escreveram os posts de comentario no blog casinodaelsa (recomendado pelo clickmailbekita) são alunos de direito... Não podem ser estes os futuros advogados, juizes, politicos, juristas, ... portugueses.

Ninguém, mas mesmo ninguém faz justiça pelas próprias mãos. É de facto um caso único nas universidades portuguesas, não o é no estrangeiro (ex. Virginia Tech, com uma unica diferenca, lá até uma criança de 6 meses pode ter porte de arma).

O assunto tem que ser seriamente reflectido, mas não há desculpa para este individuo... Ele agiu mal, mto mal...

Tenho pena por ele, porque com 24 anos lixou completamente a sua vida. Para o estado nunca mais trabalha (isso implica por exemplo, trabalhar na PJ, PSP, bla bla bla)

Não podemos entrar numa de: "quem nunca teve vontade de esfaquear um professor que atire a primeira pedra...", porque só aqueles que tem controle sobre as suas vontades mais animalescas, podem viver em sociedade...

cris disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
cris disse...

Concordo plenamente. Este é um caso que merece reflexão, mas muitas outras coisas o merecem, como tantos outros, não tão graves, mas que têm vindo acontecer dentro da Universidade do Minho e, mais precisamente dentro da escola de direito desta universidade (que são por muitos desconhecidos).
O acto é reprovável e de lamentar, mas é também importante questionarem-se sobre o que levou o aluno a fazer isso.
Nada justifica o que fez, no entanto, e como já disse, cumpre à justiça as consequências de tal acto. Mas, sejamos sinceros, todos sabemos que na Escola de direito da U.M. realmente só quem passa por elas é que sabe e, desde há muito, que é conhecida a arrogância e sentimento de superioridade de vários professores. Tentam passar aos alunos verdadeiros atestados de estupidez, de burrice e ninguém os consegue travar.
Só me pergunto quando é que os alunos do curso de direito se vão deixar de conflitos e da mania de superioridade que, também muitos vão ganhando (parece contagioso) e se juntam para fazer mudar algo.
Acho que os acontecimentos de ontem, apesar de tudo, fazem-nos pensar em tudo o que se tem vindo a passar dentro desta nossa escola porque, aquilo que muitos dos nossos professores fazem está longe de se poder chamar actos de desespero, mas sim de abuso!
Realmente é incrível os comentários tecidos por alunos de direito e ainda mais o que realmente se passa (coisas que nem ao diabo lembra) e ninguém quer ver.

NA disse...

Cris, não sei quem es, por isso desculpa se me enganar no género ao longo do texto.

Nenhum de nós é aluno de direito e, pelo menos eu, desconheco o que de facto se passa na escola de direito. Sei que o curso, apesar de relativamente recente, tem ganho relevancia no panorama nacional da formaçao em direito. Sei também que têm professores com reconhecido CV.

Aparentemente para um leigo que vê de fora, tudo parecia correr na normalidade... Pensas que há algum motivo especial que possa levar a revoltas sérias deste tipo? Achas de facto que há prepotencia por parte dos docentes?

Se tiveres oportunidade poe-nos um bocado a par de tudo o que se passa...

alunadireito disse...

Ainda não tinha comentado, mas tenho todo o prazer em colocar-vos a par de algumas coisas que se passam há anos na Escola de Direito.

Efectivamente, o comportamento do aluno Sérgio Barbosa, é claramente censurável, e deverá ser analisado em sede de responsabilidade criminal, para aí ser julgado e adequadamente punido. Contudo, é de extrema importância que a comunicação social, investida do seu papel de relator da verdade dos factos, investigue e tente perceber o que pode levar um aluno de Direito, inscrito no 4º ano, a agir de modo tão violento e impensado, arruinando, provavelmente, qualquer hipótese de terminar o curso e poder iniciar a sua vida profissional nas teias do Direito.

Será de esperar que, nas suas investigações, a Comunicação Social, encontre muita gente chocada, naturalmente, com o sucedido. Mas se souber procurar e falar com os alunos de modo a que estes se sintam protegidos, encontrará muitos mais que dirão que o sucedido era esperado há muito tempo, senão por um aluno, por um pai de um aluno; senão contra o Prof. Doutor Luís Gonçalves, contra o Prof. Doutor Nuno Oliveira ou contra o Prof. Doutor Heinrich Hörster.

Perguntando porquê, facilmente obterão uma resposta: porque o que se passa há anos no Curso de Direito tem levado muitos alunos a estados psíquicos desequilibrados, nomeadamente depressões profundas e duradouras, desistindo muitos do curso, desistindo muitos de tirar qualquer curso inclusive.

Os motivos?
• Péssimos resultados constantes em disciplinas como Direito das Obrigações, Teoria Geral do Direito Civil e Direito da Família (das três, a primeira é o ex libris);
• Marcação da 1ª e da 2ª chamada dos exames, com espaçamento de apenas 2/3 dias – impossibilitando quem está doente, por exemplo, de fazer exame na época normal;
• Constante ameaça velada de que os alunos devem fazer exames sempre na primeira chamada, nunca na segunda ou em recurso, porque o nível de exigência é propositadamente e claramente muito superior – leia-se, as hipóteses de passar são extremamente reduzidas;
• Professores que reprovam certos alunos 4,5,6, 7 vezes sempre com a magnífica nota de 7 valores – com 8 valores podem ir a oral;
• Frequentes humilhações nas provas orais, nas quais alguns professores perguntam , entre outras coisas, às senhoras se não seria melhor ficarem em casa a tomar conta dos filhos e da cozinha;
• Exames a começarem com uma hora de atraso, sem qualquer penalização para os professores;
• Total ausência de critérios de correcção dos exames, quer objectivos quer subjectivos;
• Total ausência de protecção dos alunos face aos professores, pois qualquer manifestação de insatisfação conduz, regra geral, a uma “marcação” do aluno;
• Completa rebeldia do Departamento face a tudo o que a Reitoria aprove ou decida;
• Caso concreto: Em 2006, o Dr. Hörster encorajou os alunos a dirigirem-se ao Reitor para requerer a época de Especial de Setembro e, quando este pediu o parecer do Director do Curso (Dr. Hörster), este indeferiu o pedido - com isto, os alunos de Direito foram os únicos em toda a Universidade a não poder fazer exames nessa época;
• Casos de concursos de admissão de docentes terem sido encerrados abruptamente, porque os candidatos tinham melhores currículos do que a pessoa escolhida pela Escola.

De lembrar, que o Prof. Doutor Nuno Oliveira, foi por algumas vezes chamado pela reitoria, para ser repreendido pelos resultados da disciplina, mantendo-se contudo como regente da disciplina até hoje. Este professor foi mesmo ameaçado de expulsão caso não alterasse a sua forma de ensino e resultados obtidos. Sim, é o mesmo que reprova alunos por não gostar da “musicalidade das respostas” escritas – segundo as suas palavras.

Enfim, a lista não termina aqui. Qualquer aluno tem várias histórias pessoais que contribuem claramente para um desequilíbrio emocional. Devemos ter em atenção que estes alunos pagam propinas tendo por objectivo finalizar o curso e poder exercer uma profissão com ele relacionada, iniciando assim a sua vida profissional. Está pois claro, que o facto de o aluno sentir que não consegue prosseguir no curso, e sentir que não pode assumir a culpa por inteiro, conduz a estados emocionais extremamente complexos e desgastantes, face à sensação de impotência que se gera.

Como aprendizes de Direito, somos incitados Constitucionalmente a combater as injustiças, as desigualdades, as discriminações mas, como alunos do Curso de Direito da Universidade do Minho, somos reprimidos e mesmo oprimidos pelo “sistema” criado na Escola de Direito, que outrora teve no seu corpo docente brilhantes pensadores do Direito, os quais foram lentamente sendo “escorraçados” para que o Doutor Luís Gonçalves e associados se pudessem instalar no seu magistério oligárquico (caso do Doutor Colaço Antunes, entre outros).

Para que não surja a ideia de que isto são acontecimentos passados e antigos, penso que é de referir que , ainda ontem, depois do sucedido, o Dr. Heinrich Hörster, regente da disciplina de Direito da Família e Sucessões, protagonizou uma "cena" muito triste. Depois de, por si, previamente autorizada a utilização de máquinas calculadoras no exame, o Dr. Hörster, dirigiu-se aos alunos, já depois de iniciado o exame, e notificou-os do facto destas serem proibidas no durante o exame. Mais ainda, não se limitou a falar, tendo mesmo atirado a máquina de um aluno para o chão. Este senhor, é o mesmo acusado, num processo entretanto arquivado, de agressão pelo aluno Sérgio Barbosa. No mínimo, dá que pensar, não?

No meu caso, posso dizer que já tentei contactar a comunicação social, por diversas vezes, para a alertar para inúmeros acontecimentos e práticas. Contudo, ainda que me identifique aos órgãos em causa, por não estar disponível para assumir a minha identidade publicamente (sim, tenho medo, porque sei que iria dar a cara sozinha e ficaria claramente marcada, para dizer o mínimo), as minhas informações são consideradas como não credíveis, e penso que nenhum dos órgãos contactados até agora se dedicou a perder algum tempo a tentar apurar a verdade.

Sinceramente, não me sinto confortável com a minha atitude, cobarde ainda que, eventualmente, inteligente.

As únicas pessoas com possibilidade de fazer alguma coisa seriam as Associações de Estudantes, que ainda assim, falariam em nome dos alunos e não pessoal, correndo menos riscos... Até ver, ninguém esteve disposto a isso, mesmo assim...

Mais questões, posso responder por mail ou comentar aqui.
Espero ter ajudado a esclarecer algumas coisas.

Bom fim-de-semana!

cris disse...

Sou estudante de direito e, apesar do pouco tempo que tenho dentro desta escola já assisti a algumas injustiças, como todos que lá passam.

Realmente, o curso tem vindo a ganhar relevância, é o curso de direito com uma das médias mais altas, no entanto, a maioria dos alunos parece votada ao fracasso à chegada.

Prepotência? Muitos abusam da autoridade que têm, fazem-se valer do seu estatuto de professores (leia-se pessoas intocáveis)

Não sei se visitaste o blog casinodaelsa, mas aí podes recolher vários comentários a esta situação e vais notar que todos eles na generalidade falam de diversas situações, têm quase todos os mesmos sentimentos. Um dos comentários refere até uma situação passada, salvo erro, quinta-feira durante um exame com um dos professores que tem um litígio em tribunal com o aluno-agressor.

Foi um acto desesperado, condenável é certo, mas que trouxe ao de cima vários podres da escola de direito. Desencadear revoltas deste tipo não digo, porque foi uma situação muito grave, mas com o tempo e, dependendo do temperamento do aluno e postura dos docentes podem-se criar situações bastante constrangedoras.
Este incidente espero que tenha servido para reflectir e realmente perceber que são necessárias mudanças, espero é que sejam para melhor.

cris disse...

A colega de curso conseguiu explicar, muito melhor do que eu teria feito, as situaçoes a que os alunos estao sujeitos. ate porque me parece frequentar o curso ha mais tempo que eu e consegue, sem duvida alguma, relatar melhor o que tem sucedido!
Desde já louvo a sua atitude, pois é importante que se saiba o que se passa dentro dessa escola e a forma como os alunos tem sido tratados.

Francisco Rodrigues disse...

Bem, eu estou sem palavras depois de ler os depoimentos da Cris e da alunadireito.
Á primeira vista da sempre aquela sensação:
"as navalhadas foram merecidas e deviam ser mais uns poucos a enfardar."
Contudo, como disse o Nuno e muito bem, estamos inseridos numa sociedade e não podemos ceder a todos os nossos instintos, mesmo os mais animalescos. É proibido, éinaceitavel fazer justiça com as próprias mãos. O Sérgio não podia ter feito o que fez.

Mas, atenção, a investigação judicial, jornalistica e académica devem procurar a resposta para:

Porquê? O que está por trás disto? Já não seria previsível?

Em relaçaõ ao facto da alunadireito não dar a cara sozinha, eu faria o mesmo. É sem dúvida uma atitude inteligente porque o mundo não vive de mártires, estes estão aos montes nos cemitérios. Sou mais apologista de um movimento de união, pensado, inteligente e interventivo. A ser verdade, e eu acredito que sim porque já ouvi diferentes depoimentos sobre o assunto, o que se passa na escola de direito é contra a dignidade humana. Gravíssimo. Condenar o sérgio, em tribunal ou em praça pública, dizendo que ele vai ter o que merece porque é doido, ou não, por si só não basta. É imperioso ir mais a fundo nesta história.

Anónimo disse...

Só um pequeno comentário para dizer que, o post do Casino da Elsa já ultrapassou os 150 comentários!

Os alunos começaram a falar mesmo, e a contar situações gerais e concretas que vivemos na Escola durante os últimos anos.

Continuamos a apelar à Comunicação Social para que esta dê algum destaque a toda a situação e investigue!

Por enquanto, ainda não perdemos a força!