Tem que se continuar a ser duro perante estes casos, tal como disse o juíz em tribunal: "são os professores que, cada vez mais, substituem os pais na educação dos filhos", logo é preciso impor respeito...
05 maio 2007
Para que não se repita...
Tem que se continuar a ser duro perante estes casos, tal como disse o juíz em tribunal: "são os professores que, cada vez mais, substituem os pais na educação dos filhos", logo é preciso impor respeito...
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Labels: agressão, professor, tribunal de Braga
28 novembro 2006
ser professor

"Rómulo de Carvalho foi um grande professor. Um novo livro mostra como. E também como se ensina mal em Portugal.
“A crise de ensino de hoje é a crise de sempre, com a vantagem, para os nossos dias, de que os bons professores são melhores dos que os bons dos tempos passados em virtude dos excelentes recursos que têm à sua disposição. Os professores medíocres e maus são como os medíocres e maus de todo o tempo.”
Esta frase foi escrita por Rómulo de Carvalho há 36 anos, numa altura em que aproximava da idade da reforma como professor. Não é seguro que a repetisse hoje, pois se na época – na viragem dos anos 60 para os 70 – se assistira a um grande investimento no equipamento dos laboratórios escolares, esse investimento foi entretanto descontinuado e disciplinas como Física enfrentam a escassez de bons professores, tal como os cursos universitários da disciplina se debatem com falta de alunos. Ora, como explicava o professor, divulgador científico e poeta que teria completado 100 anos no passado dia 24 de Novembro, em todo o ensino “a figura central do problema é o homem”. E o homem é o professor.
Contudo, “ser professor”, está muito longe de ser uma tarefa rotineira. Ser professor – titulo de um livrinho acabado de sair (edições Gradiva) que recolhe textos de Rómulo de Carvalho – é todo um projecto de vida que, no caso de disciplinas como Física, disciplinas “malditas” que os portugueses tendem a abominar, requer mais do que conhecimentos e boa dicção, pois requer a partilha com os alunos do gosto pela descoberta. Algo que só pode ser feito através do ensino experimental, com o qual o nosso país tem uma muito má relação. Basta pensar que foi introduzido pelo Marquês de Pombal, em 1761, para logo depois o “carro do ensino da Física” seguir “rangendo” “ao longo dos perturbados anos que se seguiram”, pouco se avançando no século que se seguiu. Pior: quando, em 1895, Jaime Moniz quis reformar o ensino secundário, o seu esforço depressa feneceu e na maior parte das escolas do país a Física continuou a “ser leccionada por discursos orais, ilustrados com giz no quadro preto”. Rómulo de Carvalho que leccionava no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, onde existiam dois bons laboratórios e outros tantos anfiteatros, acreditava que os investimentos então realizados iriam dar frutos. Não imaginava, por certo, é que o “seu” Pedro Nunes não tardaria a perder os anfiteatros que o distinguiam, esses espaços que descrevia como essenciais para toda a turma pudesse seguir uma experiência. E estaria sem duvida, longe de imaginar que, em 2005, um Governo, o actual, ainda tivesse de colocar no seu programa objectivos como “tornar obrigatórios o ensino experimental das ciências em todo o ensino básico”…
Mas pior do que escolas mal equipadas são ideias erradas. Por isso, para ter uma aproximação de como se pode ensinar de forma clara um conceito algo complexo a alunos de 13 anos, leia-se o pequeno ensaio de Rómulo de Carvalho Introdução ao conceito de Incerteza Absoluta das Medidas e de Algarismo Significativo no 1º Ano do Ensino Liceal e, depois, compare-se com o esquema sugerido aos actuais professores nas páginas 36 e 37 do actual programa para o 10º Ano (alunos de 16 anos) de Física e Química A. Ou então repare-se que se Rómulo de Carvalho se queixava em 1970 de os programas terminarem falando de inventos com mais de um século, o programa de Física de 12º Ano ainda dedica 35 aulas às Leis da Mecânica, 23 às da Electricidade e só 20 às da Física Moderna, pós-Einstein…
Mas fiquemo-nos por aqui. Ler Ser Professor, ajudará qualquer professor, e isso é o mais importante. Já comparar o que aí se recomenda com o que hoje se faz (leia-se por exemplo o surreal currículo da disciplina de Ciências Físico e Naturais do 3º Ciclo do Ensino Básico) apenas faria dar voltas ao tumulo a alguém que tanto e tão bem fez pelo ensino em Portugal.”
Jornal Público – 27 Novembro 2006
editorial – José Manuel Fernandes












