26 março 2007

O bom exemplo Escocês


26 de Março de 2006, 6.00. A partir deste momento qualquer fumador tem que aliviar o vício ao ar livre. Fumar é absolutamente proibido em espaços fechados, desde estações de caminhos de ferro com cobertura a discotecas outrora túrbidas de fumo.
Um ano depois as notícias não podiam ser melhores. Embora já vários países tivessem entrado no esquema Nova Iorquino nunca nenhum tinha averiguado as verdadeiras consequências da proibição. Na Escócia, mais 46 mil pessoas tentaram deixar de fumar, um número dez vezes maior do que o do anterior ano. 18% (cerca de 9 mil) destas pessoas deixou, efectivamente de tocar em cigarros. Outros 33% estão num processo de reduzir o consumo.
Curiosamente, quem mais está contente com a proibição são os restaurantes e bares. O dinheiro gasto nestas actividades cresceu (talvez muitas das pessoas que não saíam por estes estabelecimentos serem antros de fumo tenham mudado de hábitos) e toda a gente está contente. Mesmo os que não estão a tentar deixar de fumar dizem que fumam menos e que lhes sobra mais dinheiro para outras coisas.
Obviamente que tal redução criou desemprego, em especial nas actividades ligadas à poderosa indústria tabaqueira. Estes queixam-se mas não será que tiveram liberdade a mais durante muito tempo?
E claro que o factor mais importante desta mudança de hábitos virá a longo prazo. Prevê-se que haja uma redução drástica na ocorrência de cancro do pulmão e nas outras doenças associadas ao consumo excessivo de tabaco. O Ministro da Saúde Escocês, Andrew Kerr, adianta mesmo que "depois de passado um ano, os benefícios já estão à vista de toda a gente."
Como testemunha presente só tenho a dizer: "se quiserem tomar uma decisão em relação à proibição do consumo de tabaco em Portugal, sigam o bom exemplo Escocês!"

9 comentários:

NA disse...

Ricardo, sem dúvida uma boa medida. Nalguns estados americanos é proíbido fumar a menos de (cerca) 30 metros dos edifícios federais.

Para além dos problemas que tu apontaste no desemprego, sei que na Irlanda houve uma redução do número de pessoas que frequentavam os bares, ou seja, algum prejuizo para o negócio da noite. E ai na Escócia, sentiu-se isso?

koolricky disse...

Como disse no texto as estatisticas indicam para que tenha havido uma ligeira subida de vendas nos bares...

Francisco Rodrigues disse...

Eu estou muito céptico em relação a uma hipotética implementação desta lei em Portugal; muito céptico mesmo.


Em relação aos americanos, a ideia de se fumar a mais de 30 m de edificios federais é para rir. Tudo bem que eles agora andam com a moda dos Toyotas, Lexus e Hondas hybridus, mas ainda continuam a ter carros com altas cilindradas e mais de 400 cavalos, além de serem um dos países mais poluidores do mundo. Manias.

koolricky disse...

FR, sem por em causa o argumento dos carros de alta cilindrada, o tabaco e algo completamente diferente e que mexe com a saude das pessoas que nao fumam. Essa questao e uma questao de saude publica. Vais ver que ainda vais dar gracas a implementacao desta lei. Tenho a certeza que pelo menos a tua carteira vai! :o)
Em relacao aos carros has-de reparar que os EUA sao o pais onde os carros hibridos tem crescido mais. E que ate agora a gasosa era barata mas agora com a subida dos precos cada vez se vem menos esses carros de alta cilindrada, a acreditar no que li no The Economist no outro dia.

spicka disse...

Desde que não se chegue ao cúmulo do ridículo e se proiba fumar um cigarro inserido no texto de uma peça de teatro;

Desde que não se deixe de contratar funcionários para certo cargo por serem fumadores;

Desde que...

Desde que...

Por mim tudo bem.

koolricky disse...

Spicka, qualquer um pode ser fumador. Agora, tem e que fumar na rua! Eu para ir mijar tambem vou a casa de banho.

Francisco Rodrigues disse...

Ok Ricardo, penso que concordas que aquele episodio no teatro escoces foi um exagero. Levar situações, leis ou proibições ao limite nunca é bom. Há que haver um equilibrio e esse equilíbrio em portugal é que penso ser muito dificil.

Lembras-te do Pedro dizer que havia funcionários a trabalhar em prensas de ferro com uma barra de metal numa mao e o cigarro na outra? Ou mesmo os operários da construção civil? Há coisas que não se mudam de um dia para o outro sob o espectro de "é o melhor para todos". Eu continuo céptico, e já nem falo do negócio da noite, porque esse tem meandros obscuros que a mim, sinceramente não me preocupam.

A generalização dos espaços fechados parece-me ser o problema. Quando se vai a um bom restuarante, no fim de um bom prato e um bom vinho até dá vontade de fumar, confesso. Mas assumo perfeitamente que não me importo de ir fumar noutro sítio, nme que seja na rua. Mas isto, sou só eu a falar.

Francisco Rodrigues disse...

...ao fim e ao cabo o spicka tocou num aspecto importante:

a possível prepotência não fumadora que poderá discriminar os fumadores. A ver vamos, mas olhando transversalmente os hábitos e costumes do bom e puro "Tuga", não vai ser fácil.

koolricky disse...

Concordo que ha limites para a interpretacao da lei e esse do teatro e uma excepcao a uma regra que tem seguido bem. Quanto a discriminacao e importante que nao haja mas ha dois pontos a considerar:
se um empregado fuma e tem que deixar o escritorio para fumar cada 5 minutos devera ser pago por esses 5 minutos?
mas ao mesmo tempo, deverao os nao fumadores ser prejudicados por uma decisao consciente que os fumadores optam ao ter que trabalhar esses mesmos intervalos? E ainda pegando no exemplo do operario fabril, quem e que e responsavel pelo possivel cancro do pulmao do operario ao lado? Isto nao sao worst case scenarios, sao realidades.
Quanto ao bom jantar. Bom, quando estou entre amigos nao me importo que fumem depois de comer porque sao meus amigos. Agora o "bom jantar" pode muito bem ser estragado por um(a) senhor(a) ao meu lado que decida fumar depois do seu "bom jantar". E eu como e que fico? E que o meu bom jantar e sem o fumo! A liberdade de uns acaba onde comeca a dos outros!