24 abril 2007

União Europeia. Mais um país?

É com bastante curiosidade que se aproximam as eleições para o Parlamento Escocês. Até agora, o único partido nacionalista (que defende a separação do resto de Reino Unido), o Scottish National Party (SNP) era o terceiro maior partido e nunca teria hipóteses de governar. Talvez os próprios Escoceses tivessem receio do que seria uma Escócia independente às três pancadas. Mas, no espaço de dois anos morreu o último bastião da herança Escocesa na família real (a raínha-mãe) e o SNP mudou de estratégia, virando o jogo a favor dos nacionalistas. O SNP comprometeu-se a não convocar o referendo da independência neste mandato (caso ganhe) mas prometeu pôr a vizinha e toda-poderosa Inglaterra sob aviso.

Uma Escócia independente teria domínio sobre as plataformas petrolíferas e jazigos de gas natural do Mar do Norte, uma das razões pelas quais o Reino Unido sobreviveu tão bem às agruras da segunda guerra mundial. Uma Escócia independente poderia "desmarcar-se" dos compromissos políticos do governo trabalhista de Tony Blair e concentrar esforços em unir a Europa, em vez de a dividir. Mas do outro lado da moeda, uma escócia independente seria um país periférico, com pouca peso nas decisões europeias e com uma herança bastante grave a nível social. Nos últimos 100 anos, aqueles que eram os principais sectores empregadores faliram. Os estaleiros fecharam e as minas secaram deixando um rasto de pobreza comparável aos países "pobres" do Sul da Europa. Algumas partes de Glasgow são concerteza mais 3º mundistas do que muitos bairros de lata de Lisboa.

Um facto cómico e irónico é que também haverá eleições para o governo central. Quem substituirá Tony Blair no comando dos trabalhistas será Gordon Brown, o actual ministro da Economia e Finanças, a pasta mais importante a seguir à do PM. Mas Gordon Brown é de Fife, uma região Escocesa a norte de Edimburgo. Se a Escócia se tornar independente, irá ele a tempo de ser o último primeiro ministro desse consórcio chamado Reino Unido?

5 comentários:

Francisco Rodrigues disse...

Ricardo, uma pergunta:

Se o parlamento escocês convocar um referendo a perguntar se o povo quer a independência da Escócia em relação ao Reino Unido, os Ingleses seriam obrigados a aceitar isso de ânimo leve?

koolricky disse...

Boa pergunta. Se calhar a Escócia ainda se torna uma outra Irlanda do Norte...

BlogMinho disse...

I Encontro de Bloggers e Leitores de Blogues do Minho
Vamos lançar um conjunto de iniciativas que visam devolver ao Minho uma voz activa e lançar um verdadeiro debate em torno das questões estruturantes da região mais portuguesa de Portugal.

Francisco Rodrigues disse...

Ricardo, tu melhor que ninguém, conheces a realidade escocesa. Confesso que nem me passava pela cabeça alguns desses defeitos/dificuldades que se vivem actualmente na escócia.

koolricky disse...

Quando somos confrontados com o que as pessoas nos querem vender, também somos muitas vezes enganados. Imagina lá tu que estava a falar com um investigador Esloveno que veio dar uma palestra ao instituto onde trabalho e ele ficou surpreendidíssimo quando lhe disse que Portugal estava à beira da falência. Também na Escócia (e na Inglaterra, e na Noruega...) há casos assim. Aliás, recomendo um filme potente (um dos melhores que já vi) que retrata a realidade de muitos bairros pobres da Escócia, em particular, de Glasgow. O filme é "Sweet Sixteen" e terão de o ver com legendas, porque a pronúncia é indecifrável (até para mim, que vivo na Escócia há quase 9 anos).
No entanto é um país com muitas potencialidades e que sempre gerou muitas mentes brilhantes (Fleming - penincilina, Simpson - Clorofórmio, Bell - telefone, David Hume - Filósofo, Baird - televisão e muitos outros). Mas também Portugal é um país com muitas possibilidades. O que é preciso é uma governância que premeie quem trabalha e um povo que queira trabalhar. A culpa é 50%/50%.