Mostrar mensagens com a etiqueta fernando ribeiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fernando ribeiro. Mostrar todas as mensagens

25 abril 2009

Amália Hoje





Para conhecer melhor o projecto, aqui.

23 julho 2007

Imprensa

O vocalista dos Moonspell, Fernando Ribeiro, acaba de ver publicado "Diálogo de vultos", o seu terceiro livro de poesia. À conversa com o JN, o autor disse tratar-se de "um livro com um registo muito íntimo sobre a minha relação". "É uma exposição no limite", acrescentou, confessando que chegou a hesitar antes de optar por colocar o livro no mercado "Fiquei naquela: publico ou não publico?".

"Diálogo de vultos" surge na sequência das edições de "Como escavar um abismo" e "As feridas essenciais". Nascido em 1974, Fernando Ribeiro assume ter uma relação antiga com a poesia. "É uma relação quase paralela com o começo da banda. Os Moonspell movem-se num universo do metal que tem uma componente literária muito forte e que sempre foi trabalhada por citações de autores". Mas frisou "É claro que não fomos nós que inventamos isto. Sempre houve muito essa faceta literária que me atraiu no heavy metal". Todavia, Fernando Ribeiro assume que nos primeiros tempos "tinha uma certa timidez em publicar poemas".

Os Moonspell existem há 15 anos e são uma das bandas portuguesas que goza de maior sucesso além-fronteiras. Apesar de cantarem em inglês, os seus discos foram amiúde influenciados por escritores portugueses.

O famoso single "Opium", por exemplo, é assombrado pelo "Opiário" de Álvaro de Campos. Fernando Ribeiro é o primeiro a assumir que o heterónimo de Pessoa teve - e tem - um profundo impacto na sua obra. Mas não só "Gosto muito da poesia do Al Berto e recentemente descobri Catarina Nunes de Almeida, uma autora nova que tem um livro fantástico", confessou. Todavia, Fernando Ribeiro considera que a sua minha grande influência poética "por acaso até nem é portuguesa; é um autor espanhol: Justo Jorge Padrón". Pelo meio, contam-se colaborações com o escritor José Luís Peixoto, a quem Fernando Ribeiro não poupa elogios.

Comparando as letras dos Moonspell com os seus livros poemas, o artista considera que "a contaminação dos dois mundos é muito mais interessante do que eu poderia prever". E explicou "Estamos agora compor um disco novo e o sentido das minhas letras, que antes era muito épico, mudou-se para um coisa mais fechada, mais íntima".

in JN


Esta notícia, tanto para mim como para os leitores deste blogue, não é novidade nenhuma. Ontem à noite, a Antena 3 também emitiu uma hora de entrevista, sobre o livro citado, bem como o futuro dos Moonspell. Há alguns indícios mediáticos no país natal desta banda, mas só depois de 15 anos de carreira, uma entrada directa para o 1º lugar do top nacional (2006), melhor banda portuguesa da MTV e, nesta altura, em que o vocalista lança o 3º livro de poesia. Pelo meio fica também a edição inédita em Portugal de um disco (The Antidote) em conjunto com o livro Antídoto de José Luís Peixoto. Mas há mais entrevistas, feitas e por fazer.

adenda: a quem quiser ouvir a entrevista de ontem na Antena 3, aqui.

24 maio 2007

Diálogo de Vultos



"Caros amigos/as:

Tenho o prazer de vos convidar para as sessões de autógrafos do meu novo livro de poemas Diálogo de Vultos:

2 Junho(SAB)- Feira do Livro de Lisboa, ao Parque Eduardo VII, pelas 18.30, pavilhão Edições Quasi (143)

3 Junho(DOM)- Feira do Livro do Porto, Palácio de Cristal, pelas 17.00, na tenda exterior (sessão conjunta com Adolfo Luxúria Canibal)

As apresentações oficias do livro serão marcadas em breve para as lojas FNAC.

Obrigado, divulguem e apareçam!

Fernando"

in Cofre Aberto


Diálogo de vultos

Deita-te nua de ti
No mármore frio do meu corpo.
Teus olhos fechados sobre o eclipse dos meus.

Seca os teus lábios
Na feridas dos meus
E deixa-te estar quieta:
Até estas palavras passarem,
Até às sombras se calarem
E o nosso amor silenciar de vez
Este diálogo de vultos.

27 janeiro 2007

O Metalúrgico

Fernado Ribeiro é o líder dos Moonspell, banda de ‘heavy metal’ que já vendeu 600mil discos em todo o mundo. Vem da Brandoa, estudou Filosofia e escreve livros de poemas. Diz que o seu lema é fazer com que as coisas aconteçam.

Aos 20 anos (…) dava explicações de Filosofia, o curso que frequentava na Faculdade de Letras, em Lisboa, depois de ter abandonado outra paixão: a Historia. Mostra-se orgulhoso por esse período de trabalhador/estudante: “Inventei a explicação ao domicílio e conseguia tirar, de vez em quando, 50 a 80 contos por mês”.
Os projectos para uma banda a sério começaram em 1989 com os Morbid God. Três anos depois (…) nasciam os Moonspell: “Havia coisas dentro de nós absorvidas de outras bandas, de livros, de conversas que queríamos transformar em músicas de ‘heavy metal’. Não estávamos muito interessados em saber se as pessoas gostavam ou não”, lembra este estudante de Filosofia que nunca terminou o curso. Às tantas teve que trocar os estudos pelas constantes digressões da banda: Estados Unidos, México, Alemanha. O som que criavam valeu-lhes três ordens de despejo da Câmara Municipal da Amadora, mas alguns anos depois a mesma autarquia concedeu-lhes uma medalha de prata de mérito cultural. Com ou sem distinção das autoridades municipais, dificilmente o músico deixaria de afirmar as suas raízes: “Podes tirar um homem da Brandoa, mas não podes tirar a Brandoa de um homem. Tenho necessidade, e admito que talvez seja uma coisa suburbana, de legitimar as minhas origens.” (…)

Do historial da banda, Fernando destaca o projecto de 1999, ‘Butterfly Effect’: “Gosto de o ouvir. Foi o álbum que vendeu pior e vivemos uma fase negra. Pagámos as nossas contas todas e ficamos com 150 euros para o resto do mês. Dou importância às pessoas que sobrevivem com pouco, porque já vivi assim.” (...)
Todos os discos dos Moonspell estão distribuídos e licenciados a nível mundial. Há países, como os da Europa do Leste, onde as vendas só agora começam a ser contabilizadas. A agenda da banda levou-a a actuar perante 3500 pessoas no México ou 2000 na Rússia, mas o máximo foi alcançado no festival Dínamo Open Air, de 1997, com audiência de 60000 espectadores. Por cá, o recorde foi atingido na última sessão do Rock in Rio. À hora que tocaram, a organização contabilizou 45000 pessoas. Os Moonspell já atingiram a barreira dos 600 mil discos vendidos. Em Portugal, cada disco da banda vende em média, no mínimo, 10 mil exemplares. Não chega para ficar rico, nem é esse o objectivo, garante Fernando Ribeiro: “Esta é uma banda de grandes investimentos, os instrumentos são caros. Equivalo-me a qualquer trabalhador: quero ganhar mais, quero ter melhores condições de trabalho.” Para isso há que mostrar valor: “No mundo das artes, diz-se não temos nada a provar a ninguém. É uma mentira confortável, acabas sempre por ter de provar. Se não perdes a pertinência do teu trabalho. A banda da qual já se disse que tirou o ‘metal’ do gueto terminou recentemente uma digressão no Estados Unidos e já está numa ‘tourné’ europeia que a vai levar a Itália, Hungria, República Checa, Alemanha, França e Inglaterra. Em termos logísticos, a viagem pela América não correu bem: “metemo-nos com gente horrível, profissional e pessoalmente.” Serviu, mais uma vez, de aprendizagem, mas também para lembrar que, em certas ocasiões, nascer em Portugal pode ser bom: “Tivemos de andar todos os dias a remendar. Ser português é uma vantagem, é impressionante desenrascanço.”

Fernando Ribeiro, adepto do FC Porto, é um defensor acérrimo dos direitos de autor, vai votar “sim” no referendo sobre o aborto e ataca as classes dirigentes: “Tenho um grande problema com as elites portuguesas, acho que tivemos muito azar com as nossas elites. Muito azar. Estimula-se o ‘statu quo’, a mordomia, a cunha.” Situa-se à esquerda e tece elogios aos comunistas: “O PCP é um partido de trabalho. Vê-se pela quantidade de propostas apresentadas. Nesse aspecto, penso que é um partido exemplar em Portugal.” Mas não deixa de apontar o dedo: “Há uma coisa que une os políticos, a incapacidade de fazer as coisas acontecer. A democracia portuguesa é uma grande desilusão. Somos um país pequeno, inteligente e com potencial. E países assim deveriam ser mais fáceis de governar, mas não.” Pessimista? “Realista”, responde ele, atirando rapidamente com mais uma máxima: “Acredito mais em mudar as pessoas do que em mudar o mundo.”

Arruma a cadeira antes de sair do café onde se encontrou com a nossa NS’, despede-se dos empregados, veste o casaco preto, volta a colocar os auscultadores e encaminha-se para a saída, talvez a ouvir Depeche Mode, uma das suas bandas de eleição, por estranho que pareça. Vai para casa, talvez terminar mais um livro de poemas. Do primeiro “Como Escavar Um Abismo”, de 2001, fica o final do ‘Poema d’Amoniaco’, em jeito de confissão:

“Apetece-me o labirinto.
A morte.
A descida.
Apetece-me ser Demónio.
Dispensar toda
E qualquer espécie
De Vida.”

excertos de uma entrevista à NS', Jornal de Notícias, 27 Janeiro 2007