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06 março 2008

O desencantamento em betão (II)

Há pouco tempo escrevi aqui no Mesa da Ciência uma opinião sobre a Urbanização do Mosteiro, em Cabeceiras de Basto.

"Da primeira vez que cheguei à Vila de Cabeceiras de Basto, há mais ou menos 7 anos, lembro-me bem de ter ficado pasmado com a imponência do Mosteiro de São Miguel de Refojos. É um monumento de dimensões consideráveis, enquadrado numa praça ampla, em que os prédios circundantes eram todos muito menos volumosos. Ao mesmo tempo, o traço barroco deu-me uma noção de proximidade com a minha cidade, Braga, rica nesta arquitectura. Os anos foram passando e já perdi a conta das vezes que voltei àquela vila, que como qualquer local, tem a dinâmica própria de crescimento. O terreno ao lado do mosteiro foi completamente reabilitado, e bem, as estradas mudaram, a rotunda Europa nasceu e apareceram os primeiros semáforos. Nasceu também o novo centro de saúde que imediatamente foi sufocado com prédios.... Mas o pior ainda estava para vir: a urbanização que a foto ilustra. Construir mesmo junto ao mosteiro, numa rua (ou avenida) mais elevada, fez com que a imponência da desproporção daquele monumento morresse. Os interesses imobiliários sobrepuseram-se aos séculos de uma harmonia perfeita da paisagem urbana com a Natureza."


A reacção:

"Perguntem a alguns “blooguistas”, retratistas e repórteres cá do burgo qual a intenção ou os motivos subjacentes à foto difusamente divulgada, tirada por detrás das vigas de um prédio em construção na Av. Sá Carneiro, a mais de 100 metros de distância, para obter a imagem mais desfocada, mais desfigurada, do que é para nós a maior jóia cá da terra, o Mosteiro e as suas torres. Seria bem mais fácil e útil, conhecê-las por dentro, subir pelas escadas até ao zimbório e contemplar o encanto da paisagem e a beleza e a grandeza desta terra em franco desenvolvimento.
Há uma fábula bem conhecida “o menino velho e o burro”, que nos deixa um ensinamento que deveríamos assimilar desde crianças, não deveremos ver as coisas apenas pelo lado mais simples ou conveniente. Quantas vezes bastaria dar um passo ao lado (à direita ou à esquerda, não importa), para ter outra visão da realidade e alcançar horizontes que a “objectiva” só por si, não capta, caso “o fotógrafo” assim não o queira.
A estes, e aos seus mais apaniguados seguidores, deixo uma sugestão, para um exercício muito simples: Coloquem-se, agachados, por trás das costas de um “Judas” qualquer, e vejam se lhe conseguem ver a cara…" Assinado como P.L. no jornal Ecos de Basto


Saiba o P.L. que habituado a atentados ao património já eu estou há largos anos. E de resto, sobre a sugestão de visitar o interior do mosteiro, agradeço-a, mas vem demasiado tarde. Aliás, se a vila de Cabeceiras não fosse tão bela e enquadrada num privilegiado cenário natural, eu nem me preocuparia. O Minho é pródigo em caos urbanístico, já Miguel Torga comungava da mesma opinião e sublinhava que Trás-os-Montes ainda não padecia desta "modernidade" a martelo. Mas do alto da Senhora da Orada, ou do parque eólico de Fafe, sente-se o pulsar cabeceirense desenhado a tijolo-burro. E para os que não conseguíram ver o Mosteiro de São de Miguel de Refojos por a dita imagem estar desfocada, deixo o meu contributo publicado na Wikipédia a 26/12/2005. É de domínio público, podem vê-la e usá-la livremente. Mas muitas outras venho publicando ao longo dos anos.

Busteliberne
Moinhos de Rei e Praça da República
Moscoso
Magusteiro
São algumas sugestões de um bracarense, captadas in loco.

17 novembro 2007

Convento dos Remédios


Convento dos Remédios - Braga - 1910

"Foi o primeiro convento que se fundou em Braga. «Principiou esta fundação em 1545, concluindo-se em 1549, e efectuou-a D. Frei André da Torquemada, religioso da Terceira Ordem Franciscana, da andaluzia, que faleceu em Braga a 2 de Agosto de 1552 [...] A Egreja dos Remédios foi reedificada e aumentada em 1608, construindo-se a formosa frontaria em1725. [...] Em Junho de 1735 conclui-se o mirante novo, do lado da Rua de São Marcos e Campo dos Remédios [...]» (Cf. Albano Bellino)" in Bilhete Postal Ilustrado e História Urbana de Braga de José Manuel da Silva Passos.


Onde pára este edifício?

Adenda: a resposta aqui.

19 agosto 2007

Vias Romanas


A Câmara de Terras de Bouro está a lançar os alicerces para apresentar a candidatura das Vias Romanas a património mundial da Humanidade. O projecto ainda não está completo e, por sugestão da próprio UNESCO, deve ser alargado aos concelhos portugueses e espanhóis por onde passam as também conhecidas como Vias Atlânticas e cujo destaque é a Geira Romana. O presidente da Câmara de Terras de Bouro recorda que "já foram feitas a limpeza, a recuperação e instalada a sinalética, foram editados roteiros e vídeos e criados o Museu da Geira e a Galeria dos Miliários".

Recorde-se que recentemente o município de Terras de Bouro foi contemplado com a atribuição do prémio de turismo, na área do ambiente, pela candidatura do projecto "A Geira na Serra do Gerês". António Afonso reconhece que "é muito difícil apresentar uma candidatura a património da Humanidade porque os critérios são muito rigorosos",
mas o autarca revelou que "há uma equipa em permanente diálogo com a UNESCO para que todos os passos possam ser bem dados".

Em cima da mesa está também a possibilidade de pedir o alargamento da área já existente comopatrimónio da Humanidade, as ruínas auríferas "Las Medullas", de modo a o incluir o traçado romano que liga Braga a Astorga, na Galiza. António Afonso reforça a ideia de que a recente distinção é o "reconhecimento dos projectos que a autarquia tem concebido em prol da preservação ambiental e patrimonial com o objectivo do desenvolvimento local em termos de sustentabilidade do território". O autarca lamenta, no entanto, que "muitos dos projectos não sejam aprovados do ponto de vista financeiro, o que torna impossível ou muito morosos a concretização de alguns projectos".

Via sinalizada em Vila Verde

A Via XIX, itinerário de Antonino entre Bracara Augusta (Braga) e Lucus Augusti (Lugo) vai contar com sinalética nova que depois de pronta irá permitir o início de visitas até ao final do ano da via romana. Depois da fase de descoberta e definição do traçado, cumpre-se ainda a fase de limpeza, em alguns municípios, e aguarda-se a instalação da sinalética, concepção de materiais promocionais e início das visitas. "A maioria dos parceiros já recuperou e limpou a via, faltando apenas a alguns concluir esse processo", avança Adélia Santos, arqueóloga e responsável pelo Gabinete de História de Arqueologia da Câmara de Vila Verde. Em Vila Verde a limpeza está concluída. "Logo que os restantes parceiros concluam o processo, o que deve acontecer em breve, inicia-se a fase de abertura do concurso público para instalação da sinalética". in JN


Pelo teor da notícia, deduzo que a Câmara de Braga não está a participar activamente neste processo. Se assim é realmente, trata-se de uma negligência grave.


Adenda: A Câmara Municipal de Braga está realmente fora deste projecto. Basta olhar os logótipos das entidades que o integram.

imagem via Câmara Municipal de Terras de Bouro